terça-feira, 21 de abril de 2009

De vilão a herói, às custas do vil metal

Outro texto também retirado do jornal Diario de Pernambuco, edição do dia 20 de abril de 2009, segundo fascículo do "Paixão de Todas as Cores":
Quando o futebol ainda engatinhava em Pernambuco havia um atacante paulista que jogava no América. Era José Bermudes, conhecido pelo apelido de Maxambomba. Junto com ele, outros paulistas jogavam na equipe americana: Alex, Salerno e os irmãos Perez. O América, hoje na segunda divisão estadual, até a metade do século passado era um clube de primeira linha, fazendo parte do mesmo naipe em que se encontravam Náutico, Santa Cruz e Sport. Foi nessa condição que certa vez o Alviverde recebeu um convite para participar de um torneio em Belém, com a presença de equipes do Norte e do Nordeste. Viagem de navio, é claro, pois os deslocamentos por via aérea ainda eram um sonho. Em pleno domingo de carnaval, pela manhã, o América enfrentou o Clube do Remo, cuja fanática torcida compareceu em peso ao estádio. A certa altura do jogo houve um gol do time da casa, contestado pelos visitantes. E tome um pressão em cima do árbitro Viveiros de Castro, um desportista paraense de muito prestígio. O pessoal de Pernambuco queria a invalidação do gol, sob a alegação de que o jogador do Remo usara a mão. Formou-se um buruçu que não tinha tamanho. Jogadores e torcedores alvoroçados. Como o árbitro mostrava-se cada vez mais inflexível, Maxambomba fez um sinal para que seus companheiros abandonassem o gramado. Assim, sob apupos, o América tirou – literalmente – o time de campo. Escoltada pela Marinha, a equipe pernambucana seguei para o hotel. Maxambomba, por via das dúvidas, foi em automóvel particular. À tarde, Maxambomba descansava na varanda do Grande Hotel do Pará, quando foi avisado de que centenas de estudantes, aproveitando o período carnavalesco, percorriam as ruas do Centro fazendo seu ‘enterro’, tão irritados tinham ficado com sua atitude, considerada anticavalheiresca. Aconselharam ao jogador se recolher ao seu quarto para evitar aborrecimentos, uma vez que logo, a turma chegaria por lá. Maxambomba fez ouvido de mercador, permanecendo onde estava, de pijama, aguardando os acontecimentos. Malandramente, com a aproximação do séqüito ‘fúnebre’, tratou de tratou de trocar uma cédula de dez mil réis – digamos que seriam dez reais hoje – por um montão de vinténs. Quando os manifestantes surgiram aos gritos de “morra Maxambomba”, o atacante meteu a mão no bolso, puxou um monte de moedas e atirou-as em direção à multidão. A meninada caiu com gosto em cima das ‘pratas’. O gesto do jogador foi repetido várias vezes e, à medida que metiam a mão na grana, os jovens torcedores esqueciam o ‘enterro’, passando a dar vivas a Maxambomba. Que de vilão transformou-se em herói. Tudo às custas do vil metal.

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