quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

América e o tabu do Timbu


Por Roberto Vieira, do Blog do Roberto. Não foi a maior derrota da história alvirrubra. Em 1917, o Clube Náutico Capibaribe caiu por 10 a 0 diante da Associação Atlética Palmeiras em visita ao Recife. Mas os 10 a 1 do dia 28 de abril de 1918 permanecem gravados na memória estatística do nosso estado. Tanto que o jogo marca a despedida do arqueiro Nélson e do zagueiro-central Guilherme, ambos marcados pelo desastre. O jogo histórico era estreia das duas equipes no certame de 1918. O América vivia a dúvida sobre a escalação de Bermudes, Peres e Alexis, craques que desembarcaram em Pernambuco no dia 5 de março daquele ano. Segundo regulamento vigente, no artigo 87, parágrafo único, só poderiam atuar no campeonato atletas residentes no estado há pelo menos dois meses. Contratados a peso de ouro no sul do país em tempos de amadorismo, os três jogadores caíram como luva na poderosa esquadra de Zé Tasso, deixando o tal regulamento sem validade. O campo da Ponte D'Uchoa estava lotado. Presença feminina incomum naqueles tempos. O América jogara amistoso contra o Flamengo-PE, porém a equipe se ressentiu do entrosamento necessário para encher os olhos dos torcedores. Agora, o jogo valia dois pontos e o Náutico resistiu exatos oito minutos. Então, um tiro de trinta metros de Monteath entrou no ângulo do arqueiro Nélson. Foi a senha do massacre. Bermudes e Alexis mandavam no gramado, mas é Sigismundo quem dribla Barbosa Lima e finaliza para as redes aos 16 minutos: América 2 a 0. Zé Tasso dá o ar de sua graça marcando o terceiro aos 21, Karl anotou o quarto aos 23 e Lopes fez placar de meia aos 30 minutos da primeira fase. Todos os jogadores do ataque deixando sua assinatura nas redes alvirrubras. Poderia ficar por isso mesmo, mas o segundo tempo traz o Náutico abatido e o América disposto a demonstrar que vinha para ser campeão. Em cinco minutos, Sigismundo, Zé Tasso e Monteath elevam o escore para 8 a 0. foi quando um free-kick alvirrubro é defendido por Alexis com a cabeça; a bola sobra para Ivan que consegue a proeza de marcar o gol de honra Timbu. O resultado deixava o América empatado em número de gols com o Sport na liderança do campeonato. Sabendo disso, Zé Tasso e Soares marcam o nono e o décimo gol da partida. Nélson acaba o jogo realizando vinte e uma defesas milagrosas segundo os jornais da época. Foi o maior revés da história alvirrubra em estaduais. Sinal dos tempos, em toda a partida o América cometeu sete faltas e o Náutico, duas. Jogo limpo, disputado na bola. A goleada caminhava para ser triste recordação quando, na estreia do Náutico como dono do campo dos Aflitos, no dia 18 de agosto de 1918, alguém decide convidar o América para o tira-teima. A ideia foi péssima, o América venceu por 3 a 0 com absoluta tranquilidade, puxando até o freio de mão pra não exagerar na dose na festa do adversário. Aliás, detalhe importante, desde o primeiro Clássico da Técnica e da Disciplina, como é chamado o encontro entre as duas equipes, disputado em 1916, o América só veio a conhecer derrota ante seu rival no distante 20 de setembro de 1925. Durante os nove anos que durou o tabu, o Náutico jogou treze partidas contra os esmeraldinos amargando doze derrotas e um mísero empate, comemorado como se fosse a conquista de um Hexacampeonato. ____ Texto faz parte do livro 'América, o Campeão do Centenário' com lançamento previsto para 12 de abril de 2012, com prefácio do presidente João Antonio da Costa Moreira e introdução do nosso Mestre Washington Luiz Vaz. Larissa Riquelme? Isso é pergunta que se faça!

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