quarta-feira, 20 de novembro de 2013

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: Remo 1 x 2 América, em 1920




Em janeiro, mais precisamente no dia 21, a delegação esmeraldina embarca no navio Ceará com destino a Belém com pequena parada em São Luis. No Maranhão, o América foi otimamente recebido pelo governador Urbano Santos e o clube realiza um amistoso contra o Luso Sport Club, o qual venceu por 4x2. Muita festa e comida foi servida as duas equipes antes do time pernambucano voltar ao navio para continuar a viagem, vindo a chegar em Belém no dia 29 de janeiro. 

A excursão que o América realizou em terras paraenses em 1920 começou com um resultado até favorável para os pernambucanos. Logo no dia 01 de fevereiro, a equipe do América F. C. sob forte chuva e em meio a um campo alagado, colheu um empate de 1x1 contra a Seleção Paraense, resultado este que rendeu muitos elogios da imprensa, que em muito exaltaram a habilidade e força física dos visitantes. Com o goleiro reserva o América de Nhozinho; Alexi e Aires; Rômulo, Bermudes e Siza; Lapinha, Peres I e II, Juju, Salerno e Felipe surpreendeu a Seleção do Pará que formou com Francelísio, Lulu e Mamede; Guimarães, Bordalo e Suisso; Ludgard, Viroxa, Leôncio, Mimi e Arthur.

Time do Brasil Sport Club, derrotado pelo América
No começo da partida Juju, atacante do América passa pela zaga paraense e chuta para o fundo das redes de Francelísio, mas o árbitro aponta falta no lance e o gol foi anulado. A Seleção acorda e Leôncio vence Nhozinho e decreta a abertura de placar: 1x0 Pará. No segundo tempo, nosso meio campista Bermudes, tira o canhão da chuteira e acerta do meio campo no gol de Francelísio para dar números finais à partida, 1x1. No dia 05 do mesmo mês o América voltaria a campo para enfrentar mais um adversário. O craque argentino Salerno, doente, foi substituído por Gastão. O rival foi o Brasil Sport e atuando com o futebol de quem era bicampeão pernambucano, o clube da Estrada do Arraial conseguiu uma expressiva vitória pelo placar mínimo de 1x0.

Chega então o dia 8 de fevereiro e os atletas do quadro esmeraldino se encontravam ansiosos. Não era para menos, uma vez que o adversário seria o Clube do Remo, atual heptacampeão estadual, não perdendo um título desde 1913. A arbitragem do Sr. Eurico Viveiros de Castro (ex-presidente do Remo e genro do governador) foi extremamente tendenciosa, chegando ao ponto de anular três gols legítimos do América e marcar um penal inexistente para o Remo que o converteu em gol. Os pernambucanos se negam a continuar o jogo e saem do campo atingidos por tudo o que a torcida paraense tivesse chance de arremessar. Bermudes foi o principal alvo das hostilidades, pois estivera com o Sport Recife ano passado em Belém contra o mesmo Remo, ganhando a Taça Leão do Norte. Desculpas aceitas, o clube alvi-verde decidiu continuar em Belém para mais amistosos.

Estádio do Remo. Mais tarde viria a ser o Estádio Evandro Almeida.

A Seleção do Pará foi novamente a adversária do América, desta vez no dia 19. Aproveitando-se do fato de já terem jogado contra os pernambucanos e já saberem seus pontos fracos, a vitória por 3x0 dos paraenses animou bastante o público presente nas arquibancadas de madeira do Estádio do Clube do Remo. A próxima partida foi uma partida tão importante quanto marcante: a vitória por 3x2 de virada em cima do Paysandu no dia 22 já abordada aqui nas Memórias Esmeraldinas.

Na terça feira, dois dias depois da vitória contra o Paysandu, o América fazia seu segundo jogo contra o Clube do Remo. Dizer que em Belém fez calor é quase um pleonasmo, porém, o clima quente daquela tarde do dia 24, foi um atrativo a mais para que o torcedor fosse ao local da partida. A presença feminina foi marcante, deixando no ar uma mistura de perfumes e graciosidade, que faziam muitos rapazes até esquecer que a bola estava rolando.
Time do Remo, derrotado pelo América.

As 16h10 o árbitro autoriza o início da peleja. O escolhido para esta função foi Mimi Sodré, que mesmo sendo jogador do Paysandu, se mostrou totalmente isento de interesse em privilegiar esta ou aquela equipe, atuando de forma digna. A equipe remista joga melhor e abre o placar com Dudu para a festa dos seus torcedores e muitas críticas e xingamentos por parte da torcida do América... Digo... Do Paysandu, que compareceu em grande número ao local, para torcer contra o seu rival seja na terra, seja no mar.

              
O América de João Batista; Alexis e Aires; Rômulo, Bermudes e Zé Castro; Lapinha, Perez I, Dubeaux, Salerno e Perez II, reage no segundo tempo. Formigão comete pênalti em cima de Aires. Ele mesmo cobra com força e empata a partida. Cria-se então um equilíbrio técnico entre as duas equipes, evidenciados por boas jogadas de gol de ambos os lados. O gol da virada americana surge numa jogada de troca rápida de passes entre Juju, Felipe e Salerno que desconcertou a zaga remista. Rômulo enxerga Perez II correndo pela esquerda e faz o lançamento preciso nas costas da zaga paraense e chuta um torpedo no canto de Francelísio. A Taça Joaquim Inácio é entregue aos jogadores do Mequinha ao final da partida e dias depois pegam o navio de volta ao Recife.

Time do América em Belém do Pará, 1920


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