domingo, 8 de dezembro de 2013

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 1x1 Sport, em 1964

Folha esportiva do Jornal do Commercio de
18 de junho de 1964.
Em 1964 o Brasil foi sacudido politicamente pelo golpe militar e a consequente deposição do presidente João Goulart. Menos de dois meses depois desse entrave à democracia brasileira, América e Sport entravam em campo para mais uma partida válida pelo Campeonato Pernambucano de 1964, fazendo mais um “Clássico dos Campeões” a se realizar no Estádio dos Aflitos.

Naquele dia 18 de junho de 1964, a partida entre América e Sport era a que mais chamava a atenção na rodada uma vez que ambas equipes dividiam a liderança do primeiro turno juntamente com o Clube Náutico Capibaribe. Esta privilegiada situação levava a crer que um grande público seria registrado no local do jogo, devido ao interesse do público em ver uma disputa direta entre líderes do certame estadual. 

O Leão da Ilha do Retiro vinha de uma derrota para o Central e o técnico Raul Betancourt tinha sérios problemas para escalar a sua equipe para o jogo daquela quinta feira. O Sport não contaria com o jogador Alemão, mas teria as voltas de Djalma e Mané, sem contar que haveria a estreia de Tibúrcio no setor defensivo leonino. Gojoba entraria como o meio campista defensivo e a última vaga no setor de ataque ficaria ou com Laxixa ou com Celso.

No lado verde, o treinador Dequinha não teria problemas para promover a escalação da equipe que entraria em campo para defender a liderança contra o Sport. A única alteração em relação à equipe que vinha de vitória em cima do Ferroviário do Recife era a entrada de Fernandes no lugar de Nivaldo, o que não representava para o treinador uma grande mudança, pois acreditava fielmente na capacidade do substituto em dar conta do recado.

Acreditava-se que o periquito viria a campo com Lula no gol, Cícero e Bria na defesa, Zé Maria, Gilson e Ney Andrade no meio campo e Aílton, Luiz Carlos, Babá, Eric e Fernando no setor de ataque. O Sport deveria entrar em campo com Walter no gol, Tibúrcio e Baixa na zaga, Gojoba, Mané e Hemilton no meio campo, Garrinchinha, Djalma, Roosevelt, Laxixa e Rui no setor ofensivo. O bom andamento da partida foi creditado ao Sr. Alfredo Bernardes Torres que tinha a confiança dos dois clubes em arbitrar de maneira correta e imparcial e seria auxiliado por Geraldo Alves e Hélio Ferreira.

As 5.204 pessoas que foram naquela quinta feira 18 de junho de 1964 foram ao Estádio Eládio de Barros Carvalho geraram uma boa renda de 2.209.435 cruzeiros e puderam acompanhar a vitória do América por 3x1 no quadro de aspirantes que se realizou antes da partida principal, bastante aguardada pelo público presente.

Defesa americana alivia o perigo de gol do Sport
O jogo começa e as duas equipes não mostram um futebol de encher os olhos do torcedor presente, que salvo a alguns momentos de grande técnica demonstrada, faz o público assistir uma partida truncada e de forte pegada. Os atletas das duas equipes entraram no Clássico dos Campeões valendo-se mais da força física do que da qualidade técnica e o nível técnico acabou sendo inferior ao esperado. O Sport atacou muito o América nos primeiros 25 minutos de jogo, criando várias situações perigosas à meta do goleiro Lula, mas sempre errando no momento de arrematar para o gol. Num jogo de grande pegada e com pressão do adversário, o que aconteceria aos 23 minutos da primeira etapa do jogo já estava sendo aguardado.

Ótima defesa do goleiro Lula do América.
Ataque do Sport pela direita por meio do atacante Djalma que entrou na área e quase de frente com o arqueiro Lula do time esmeraldino sofre a carga faltosa do defensor americano e árbitro assinala pênalti sob protestos da torcida americana que se fazia presente aos Aflitos. Garrinchinha cobra e faz o primeiro gol do jogo aos 23 minutos colocando o leão na frente do placar. Sport 1x0. No restante do primeiro tempo as boas jogadas tanto de um lado quanto do outro se igualaram e o América conseguiu algumas interessantes oportunidades de faturar o gol do empate, mas todas as bolas arrematadas foram para fora do gol defendido pelo goleiro Walter e o primeiro tempo termina com vitória rubro negra por um tento a zero.

Caricatura da partida América 1x1 Sport em 18/06/1964
O intervalo de partida serviu para os treinadores Raul Betancourt do Sport e Dequinha do América darem os últimos conselhos a seus atletas e tentar corrigir algumas fragilidades por eles observadas. Betancourt falou a seus jogadores sobre a necessidade de segurar aquela vitória a todo custo, que não valeria apenas a reabilitação, mas também a liderança do campeonato. Por outro lado, Dequinha alertou que a derrota derrubaria o alviverde para a terceira colocação em virtude da vitória do Náutico e que os atletas deveriam entrar em campo “comendo a bola” para tentar reverter o resultado negativo.

Reportagem do Jornal do Commercio de 19/06/1964
retratando o empate no Clássico dos Campeões.
O apito que marcou o início do segundo tempo foi o estopim de uma batalha. As duas equipes passaram a jogar de forma muito ríspida e as entradas violentas foram uma constante de ambos os lados. Aos 5 minutos o jogador rubro negro Tibúrcio acerta de forma violenta o jogador Eric do América que fica estendido no gramado, levando à expulsão direta do atleta do Sport que fica a partir de então com um jogador a menos. Com apenas 4 minutos depois, aos 9 minutos, o americano Gilson em uma bola dividida, chuta de forma desnecessária o atleta Rui do Sport que pede atendimento médico imediato, levando o árbitro Alfredo Torres Bernardes a dar o cartão vermelho e pedir que Gilson se retirasse do gramado.

Os próximos 25 minutos seriam de muita garra e de várias jogadas com aquele toque de aspereza, que levavam os atletas à iminência de serem punidos por Alfredo Torres, que soube controlar para que a partida não se desenrolasse para uma briga, que em muito sujaria o espetáculo. A partir dos 35 minutos, a qualidade técnica começou a aparecer mesmo que ainda de forma tímida, quando o América foi com tudo para o ataque, a fim de evitar a derrota para o leão. 

Escalação de ambas equipes na partida.
Aos 45 minutos numa bela jogada no ataque americano, Babá cria uma ótima situação de gol e quando já se encontrava na pequena área, sofre uma entrada imprudente do rubro negro Garrinchinha e o juiz assinala o pênalti a ser cobrado. É pênalti para o América aos 46 minutos do segundo tempo nos Aflitos. Luiz Carlos acerta uma bomba no canto do goleiro Walter e empata o confronto. É GOL DO AMÉRICA! América 1x1 Sport. Não houve mais tempo para uma nova investida ao ataque e o placar do Clássico dos Campeões foi o empate com um gol para cada lado.

As equipes formaram com:

AMÉRICA: Lula; Cícero e Bria; Zé Maria, Gilson e Ney Andrade; Aílton, Luiz Carlos, Babá, Eric e Fernandes. Treinador: Dequinha.


SPORT: Walter; Tibúrcio e Baixa; Gojoba, Mané e Hemilton; Garrinchinha, Djalma, Roosevelt, Laxixa e Rui. Treinador: Raul Betancourt.

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