segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O Ademir Cunha e a sua propaganda negativa

Torcedor do Paulista em forma de protesto | Foto: Washington Ramos / Facebook

Há 33 anos, em 1980 iniciou-se o velho sonho de um peladeiro e ex-juvenil do Náutico Capibaribe na década de 60, que mais tarde, tornaria-se prefeito de Paulista. Grande entusiasta da construção de uma praça esportiva na cidade, imortalizou seu nome no estádio que deveria ser um dos mais importantes de Pernambuco, descentralizando o futebol e lazer no estado. O colosso de Paulista foi inaugurado no dia  10 de maio de 1982, de um amistoso de portões abertos ao público, entre Sport Recife e Paulistano, antiga equipe da cidade, com um publico que, segundo os jornais da época, apontavam 20 mil pessoas acompanhando o jogo inaugural que terminou em 2x0 para o Sport, com gols de Betinho e Bebeto.

A construção do estádio Ademir Cunha e o crescimento comercial do município do Paulista dava a impressão que o local seria sustentável, ainda mais com a população local ter abraçado de coração o Paulistano, que esteve foi fundado em 1982 e sobreviveu até o ano de 1993. Em meio de crises políticas e falta de apoio dos mesmos o clube acabou fechando as portas precocemente, deixou o estadio de certo modo abandonado, mesmo que na utilização de outros clubes após este período. O completo abandono foi maior após um incidente ocorrido em 2006, quando Estudantes  e Sport, deixando alguns feridos com a queda de um muro ao redor do estádio, provocando o fechamento do estádio através do Ministério Publico e o abandono de suas autoridades.

O Ademir Cunha só viria a ganhar sobrevida em 2010, através de uma parceria entre o América Futebol Clube e a Prefeitura Municipal do Paulista, foi realizado um investimento em obras no estádio. Em dois meses, a estrutura das arquibancadas foi recuperada e os banheiros revitalizados, para que o Campeão do Centenário pudesse mandar seus jogos no Ademir Cunha durante a Série A2 daquele ano. Com o acesso para a disputa do Campeonato Pernambucano de 2011, foram realizadas novas intervenções com o intuito de melhorar o local, atendendo exigências tanto do Corpo de Bombeiros como da Federação Pernambucana de Futebol.

O certo é que depois deste período, não só o América usufruiu do espaço, mas também outros clubes mandaram jogos lá. Em 2011, enquanto o Cornélio de Barros estava sendo ampliado, o Salgueiro mandou seus jogos durante quase todo  o Campeonato Brasileiro da Série B. Em 2012 lá estiveram América mandando seus jogos Série A1 do Pernambucano e Íbis e Jaguar no segundo semestre, pela a Série A2. Ainda neste ano lá estiveram o União Paulista e o Náutico jogando a Copa Pernambuco e o Santa Cruz realizando alguns treinos. Os números de jogos foram ainda maiores em 2013, levando em conta que América, Íbis e Jaguar dividiram o estádio durante a Série A2, mas também lá estiveram jogos do campeonato feminino, másters, sub-15, sub-17, sub-20, jogos amistosos e festivos.

Enfim, a situação do Ademir Cunha resume-se a muitos jogos e pouco investimento. O certo é dizer que praticamente o América investiu nesta praça esportiva, os demais clube que lá passaram pouco contribuíram para manutenção do local e não foi por falta de aviso. Necessitou que o radialista Wellington Araújo, das rádio JC News FM e Jornal AM deixar sua reclamação ao vivo nas rádios e divulgar fotos no twitter para ocorrer algum tipo de mobilização. Atualmente estádio se encontra desgastado, precisando de reformas urgentes, como troca do piso de jogo, reforma dos vestiários, limpeza das arquibancadas, pintura geral, reforma das cabines de imprensa e da iluminação.

Muitos dirão que isso deveria partir dos clubes, mas convenhamos, manter o local apto para jogos, como por exemplo a manutenção do gramado pode até ser atribuição do América, mas limpar mato das arquibancadas seria do clube? Acredito que não. Talvez o futebol não seja prioridade na prefeitura, isso é até coerente pois saúde, educação e segurança devem ser pontos a serem levados mais relevantes em um plano de governo, mas o que cabe a ser discutido é que o estádio pertence ao município sendo importante a sua conservação, principalmente em ano de Copa do Mundo. Ontem o que vimos e ouvimos foi uma propaganda negativa para qualquer gestão.

Ademir Cunha em completo abandono publico | Foto: Wellington Araujo/Twitter

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