terça-feira, 21 de janeiro de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 3x1 Santa Cruz, em 1952

Folha esportiva do Jornal do Commercio em 13/09/1952



Continuando com as Memórias Esmeraldinas, uma seção que relembra grandes jogos do América do Recife, vamos para o Campeonato Pernambucano de 1952 e mais precisamente para o dia 13 de setembro, data de Clássico da Amizade entre América e Santa Cruz que se realizou na Ilha do Retiro pela quinta rodada do primeiro turno. As duas equipes chegaram para este jogo em igualdade de número de pontos perdidos, tendo os tricolores uma partida a mais jogada e tinha como prêmio a ser dado ao vitorioso, a posição de vice-líder do campeonato, atrás do Clube Náutico Capibaribe e por isso, a expectativa era de um grande público. Ambas as equipes haviam vencido o Great Western e o Sport e haviam perdido para o Náutico. A diferença ficava pelo fato de que o Santa Cruz havia vencido o Auto Esporte, adversário que o América ainda iria enfrentar.




Destaque do JC sobre o clássico daquele dia
O árbitro da partida seria o espanhol Sr. Jimenez Molina e o clássico América x Santa Cruz teria como de costume uma preliminar na categoria de aspirantes entre Íbis e Great Western. Os alviverdes entrariam em campo sem alterações com relação ao último jogo e os tricolores vinham com a entrada de Cláudio I no lugar de Filgueiras no setor defensivo. 

Ilustração da partida América 3x1 Santa Cruz em setembro de 1952
Jimenez Molina autoriza o início da peleja e as equipes nos primeiros minutos mostram equilíbrio e boas jogadas de gol aparecem tanto de um lado quanto do outro, tendo o América finalizado melhor, mostrando a qualidade técnica que já era esperada dos times. Em um belo ataque americano aos 17 minutos, a bola é lançada para Hamilton que ao receber a pelota, se livra do adversário e dispara em direção à meta e solta um foguete no canto do goleiro Milton que nada pode fazer. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1x0 SANTA CRUZ e o Mequinha saía na frente no placar no Clássico daquele dia. O time do Arruda foi ao ataque a fim de anular a vantagem esmeraldina  e partiu para cima para pressionar, tanto que pouco depois do gol alviverde numa boa jogada do ataque do Santa Cruz, o defensor esmeraldino Dadá ao tentar afastar a bola, toca nela com a mão e o árbitro sem perder tempo marca a penalidade máxima contra o América.

Goleiro Zé Paulo pula e defende o pênalti cobrado pelo tricolor Wilson
Wilson foi o encarregado de cobrar o pênalti e assim o fez, porém para a alegria da grande torcida americana presente à Ilha do Retiro naquele sábado, o goleiro Zé Paulo do América fez uma excepcional defesa, interceptando a bola em seu canto esquerdo. O penal perdido desanimou os corais e animou o “The Green Team” que sufocou o adversário em seu campo de ataque, porém sempre parando em boas defesas do goleiro tricolor Milton e o primeiro tempo terminou com vitória do América por um tento a zero.



Pelo resultado era de se esperar que o Santa Cruz viesse para o segundo tempo com uma postura revigorada e fosse para cima do América para tentar empatar o placar, contudo, ao trilar do apito do juiz, foi o América que partiu ao ataque em busca do segundo tento. Quando relógio apontava um minuto de bola rolando, passe certeiro para o atacante Neca, que dominou a bola e disparou contra a meta defendida por Milton que não conseguiu desviar a bola. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 SANTA CRUZ.

Momento exato do gol de Isaías para o América
Os tricolores que já estavam desorganizados em campo ficaram ainda mais e deram ainda mais espaços para os ataques do quinteto de ataque esmeraldino que encontrou enormes brechas na proteção defensiva coral.  Aos 11 minutos em uma bola cruzada pela direita, a defesa tricolor bate cabeça e rebate mal a bola que sobra livre para Isaías que manda o torpedo para o fundo das redes do Santa Cruz. Alegria verde e branca nas arquibancadas do Estádio Adelmar da Costa Carvalho. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X0 SANTA CRUZ. O clima do clássico começou a esquentar e como já foi visto várias vezes, também não faltou a confusão. 



Discussão entre os atletas depois da agressão ao
jogador Macaquinho do América que se encontrava no chão
Numa boa jogada do ataque do América a bola foi defendida por Milton, arqueiro tricolor, que na cobrança do tiro de meta foi impedido de fazê-lo por que o atacante Macaquinho do América o cercou para que desta forma, o adversário perdesse tempo. Vendo a situação o jogador tricolor, Ananias, corre em direção ao seu companheiro e quando o goleiro já havia batido o tiro de meta, Ananias do Santa Cruz desfere uma forte cabeçada no jogador Macaquinho do América que fica estendido no chão, promovendo então uma discussão generalizada e acirrada entre todos os atletas.



Folha do JC ressaltando a
grande vitória do América

Em virtude da agressão ao jogador americano, o árbitro não teve dúvida e expulsou de campo o jogador Ananias do Santa Cruz que agora ficaria com 10 jogadores em campo. Aos 38 minutos do segundo tempo, o América alivia a marcação e os tricolores avançam com Mituca, que chuta forte e o goleiro Zé Paulo falha deixando a bola escapar de suas mãos vindo a pelota a sobrar livre para o atacante Parahyba, que empurra a bola para as redes e diminui o placar. AMÉRICA 3X1 SANTA CRUZ.





Destaque na edição do Jornal do Commercio que faz
um relato sobre a eficiência em campo do time da
Estrada do Arraial (bairro de Casa Amarela)

O América tratou de tocar a bola esperando apenas o final da partida que ocorreu pouco tempo depois e a vitória, deixou o América na vice-liderança e já pensando em “secar” o Náutico que jogaria na quarta feira contra o Auto Esporte. A partida preliminar terminou com a vitória do Íbis por 2x0 contra o Great Western na categoria de aspirantes e a renda do clássico somou a importância de 45.030 cruzeiros. 

As equipes do Clássico da Amizade de 13 de setembro de 1952 formam com as seguintes escalações:
AMÉRICA:

Zé Paulo;
Decadela e Dadá;
Pedrinho, Tomires e Astrogildo;
Isaías, Hamilton, Macaquinho, Neca e Dario.



SANTA CRUZ:

Milton;
Cláudio I e Palito;
Cláudio II, Wilson e Ananias;
Noca, Mituca, Parahyba, Amaury e Natanael


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