quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 4x2 Sport, em julho de 1946

Chegamos hoje à última edição da série Calvário do Trio de Ferro I e depois de mostrarmos grandes vitórias do América um contra o Santa Cruz e uma contra o Náutico, chegou a hora de mostrarmos uma vitória contra o Sport Club do Recife no dia sete de julho de 1946 em partida válida pela primeira rodada da fase final do certame. Em 1946 tomava posse o presidente General Eurico Gaspar Dutra, que assumira depois de três meses de mandato do então presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, que assumira as rédeas do país com o apoio das Forças Armadas para garantir a realização das eleições, depois dos quinze anos do governo de Getúlio Vargas. O ano da Constituição Brasileira de 1946 também foi marcado pelos nascimentos do ex-jogador de futebol Roberto Rivelino, do cantor Alceu Valença, dos futuros presidentes norte-americanos Bill Clinton e George Bush e pelo falecimento de Júlio Prestes, que foi eleito presidente, mas que não tomou posse devido à Revolução de 1930.

Folha esportiva do Diário de Pernambuco de
07 de julho de 1946 promovendo o clássico.
A fase eliminatória do Campeonato Pernambucano de 1946 contou com os quatro grandes clubes do estado, mais Great Western e Flamengo-PE (que abandonou a disputa antes do final), tendo o América ficado com a primeira colocação. O turno final contou com apenas cinco equipes e logo na primeira rodada, estava marcado o maior clássico do estado, o “Clássico dos Campeões” América x Sport a se realizar no Estádio dos Aflitos. O “Campeão de Terra e Mar” como era chamado o Sport vinha empolgado depois de vencer o Santa Cruz na última rodada do turno eliminatório e confiava na agilidade de Manuelzinho, na raça de Chicão e na classe de Zago para poder derrotar os alviverdes. Os rubro-negros acreditavam na apurada visão de gol de Amorim, na técnica de Nelsinho e nos arremates de longa distância de Zildo para perfurar o bloqueio do adversário e conseguir a segunda vitória seguida. Vavá, João Vitor e Arnaldo comandavam o meio campo rubro negro. O meio campista Vavá do Sport não deve ser confundido com seu homônimo famoso que foi bicampeão mundial pela Seleção Brasileira em 1962, uma vez que começou no Sport em 1949, ou seja, três anos mais tarde.

Destaque do Diário de Pernambuco sobre o grande clássico
América x Sport naquele domingo no Estádio dos Aflitos.
O América vinha de derrota para o Santa Cruz e precisava de reabilitação e para isso mandaria para campo o que tivesse de melhor. Julinho, craque natural de Mossoró-RN, era dúvida para a partida e se não jogasse, Edgar seria o escolhido para fazer dupla com Jarbas no ataque esmeraldino. Fora dos gramados por contusão, Zezinho teria em seu lugar o genial Janjoca na ponta direita, enquanto que Oséas, que fora descansar em Garanhuns, estava confirmado no ataque ao lado do artilheiro Djalma. Na defesa, Galego tentaria apresentar melhor futebol, ao lado de Lucas, tendo o lendário Leça no gol. 

A linha média americana formada por Pedrinho, Capuco e Arnaldo seria a mesma que desde o começo do campeonato rebebia fortes elogios por sua excelência na arte de armar os homens de ataque. O goleiro Manuelzinho do Sport mesmo contundido estava confirmado, enquanto o defensor Zago dava lugar a Luis, em virtude de uma torção ocorrida no treino do dia anterior. No América para a surpresa de muitos, Julinho faria dupla com Edgar e não com Jarbas no setor de ataque do alviverde de Casa Amarela.

Ilustração do Clássico dos Campeões América x Sport
em 07 de julho de 1946 nos Aflitos.
O Sr. Leon Markman, árbitro da partida, iniciou o Clássico dos Campeões às 15:50 e logo no primeiro minuto, Edgar do América avança e solta o canhão, para uma defesa magistral do goleiro Manuelzinho. O time esmeraldino passou todo o primeiro tempo pressionando os leões, demonstrando maior qualidade técnica durante todo o período, todavia, a primeira etapa de jogo se encerrou com um placar de 0x0 entre os oponentes. Manuelzinho fazia um primeiro tempo com boas intervenções e a defesa do Sport apelava em muitos momentos para o jogo violento, sem que tais atitudes fossem devidamente observadas pelo juiz Leon Markman. O 2° tempo começa as 16:50 e logo aos 7 minutos o América tem uma boa chance. Pedrinho bate a falta dentro da grande área, fazendo a bola sobrar para Oséas que chuta ao gol. Manuelzinho deixa passar uma bola fácil e Djalma escora para as redes. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 SPORT.

Goleiro Leça do América fazendo grande defesa entre
dois jogadores do Sport.
Mandando no jogo, o América vai para cima e aos 12 minutos Janjoca cobra um escanteio causando um grande bate-rebate na defesa rubro negra que não consegue afastar, indo a bola encontrar Capuco que dá passe para Oséas, que chuta forte e por cima de Manuelzinho que se encontrava adiantado. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 SPORT. Aos 23 minutos, o craque Julinho recebe um belo passe matando a bola no estômago e solta um foguete no canto do goleiro rubro negro para fazer o terceiro. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X0 SPORT. O time do América poderia ter aumentado a vantagem se o Sr. Leon Markman tivesse assinalado o pênalti de Chicão em Janjoca que o árbitro converteu inexplicavelmente em tiro livre indireto. O desempenho dos leões não fazia jus à grandeza do clube e os jogadores resolveram se organizar para promover uma reação. Nelsinho do Sport chuta e na hora do defensor Lucas do América rebater, a bola bate em sua mão esquerda dentro da grande área e o árbitro Leon Markman marca pênalti. Aos 30 minutos Chicão do Sport cobra a penalidade e faz o primeiro gol rubro-negro. AMÉRICA 3X1 SPORT. Apenas dois minutos mais tarde, o Sport avança com Zé Pequeno que passa pela defesa americana e serve para Amorim que desconta para os rubro-negros que encostam no placar da partida. AMÉRICA 3X2 SPORT.

Folha do Diário de Pernambuco na Terça
dia 09/07/1946 relatando a partida.
A reação do Sport parou por aí e o América procurou ter mais atenção no seu setor de defesa para impedir um desastroso empate. Com 35 minutos, Luis do Sport corta com a mão um chute de Oséas e o árbitro marca falta. O próprio Oséas cobra a falta em direção a Djalma que domina a bola e solta o canhão para dentro do gol de Manuelzinho. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X2 SPORT. O Placar poderia ter sido maior se não fosse a violência desmedida praticada pelos defensores Chicão e Luis do Sport, que deixou toda a linha de ataque alviverde com hematomas nas pernas. 

O Diário de Pernambuco enfatizou a vitória do América
sobre o Sport Club do Recife naquele domingo.
A renda da partida alcançou os 16.000 cruzeiros, valor inferior a apenas a do clássico contra o Santa Cruz e do clássico das multidões do primeiro turno e a atuação da arbitragem foi considerada fraca. Por sorte nenhum incidente grave de agressão nem entre jogadores nem torcedores foi observado seja dentro ou fora do Estádio dos Aflitos. As equipes do Clássico dos Campeões entre América e Sport em 07 de julho de 1946 formaram com os seguintes atletas:





AMÉRICA
Leça; 
Galego e Lucas; 
Pedrinho, Capuco e Arnaldo; 
Janjoca, Julinho, Djalma, Edgar e Oséas.


SPORT
Manuelzinho; 
Chicão e Luis; 
Vavá, João Vitor e Arnaldo; 
Zildo, Baby, Amorim, Nelsinho e Zé Pequeno.

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