domingo, 2 de março de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 3x1 Moinho Recife em junho de 1947

Memórias Esmeraldinas hoje contará a história de uma partida do América do Recife contra um dos adversários mais efêmeros da história do futebol pernambucano, o Moinho Recife. Em 1947 falecia Henry Ford, criador da fábrica de automóveis Motor Ford Company, o poeta espanhol José Luis Hidalgo, autor de obras como “Raiz” de 1943 e “Los animales y Los Huertos” de 1946, o escritor baiano Afrânio Peixoto, autor de livros como “Sinhazinha” de 1929 e “Despedida” de 1942. Nascia o treinador de futebol uruguaio Oscar Tabarez (campeão da Copa América 2011 com a equipe celeste), o ex-jogador Afonsinho, campeão da Taça Brasil de 1968 pelo Botafogo-RJ e o ex-jogador holandês Johan Cruijff da encantadora Seleção Holandesa de Futebol (Laranja Mecânica) da Copa do Mundo de 1974. Nesse mesmo ano, estreava nos EUA o filme “Copacabana”, uma comédia musical dirigida por Alfred Green e estrelada pela brasileira Carmen Miranda. Também em 1947 é gravada pela primeira vez a música “Asa Branca” de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e ocorria a morte trágica de Frei Serafim, vítima do primeiro caso registrado de ataque de tubarão na Região Metropolitana do Recife, sendo o fato acontecido em frente à chamada “Igrejinha” do bairro de Piedade em Jaboatão dos Guararapes.

Foto do Google Mapas mostrando à esquerda a Rua do Moinho e à direita
a Rua São Jorge e entre as duas, o prédio onde funcionou o Moinho Recife
O adversário do América nesta edição das Memórias Esmeraldinas é o Moinho Recife Esporte Clube, time que passou 11 anos em disputas amadoras antes de jogar o campeonato estadual e mantido pela empresa Moinho Recife S/A. Esta empresa, surgida em 1914, foi criada próxima ao Porto do Recife com a intenção de moer os grãos de trigo que chegavam da Argentina e produzir a farinha de trigo tão necessária à fabricação de pães, biscoitos e massas em geral. Ainda na década de 1930, o Moinho Recife S/A foi comprado pelo Grupo Bunge e produziu farinha por muitos anos na área do Recife Antigo. Quem estiver no marco zero da cidade pode conferir seguindo para o norte pela Avenida Alfredo Lisboa que a 5ª entrada a esquerda chama-se Rua do Moinho, antigo local de funcionamento da empresa. A maquinaria hoje pertence à empresa Bunge Moinho presente no quilômetro 10 da Rodovia PE-60 no Complexo Industrial Portuário de Suape. O Moinho Recife Esporte Clube disputou o campeonato de 1947 e uma pequena parte do campeonato de 1949, quando veio a se extinguir definitivamente devido à falta de investimento.

Nota do Jornal do Commercio de 16 de junho de 1947
O Estádio da Ilha do Retiro naquele dia 16 de junho de 1947 foi palco do jogo inaugural da última rodada do turno eliminatório do campeonato pernambucano entre América e Moinho Recife. Com o América já garantido para a disputa do primeiro turno, a partida teve para os alviverdes uma cara de amistoso de preparação, enquanto que para os “Azulinos da Fábrica de Farinha” a partida teria cara de decisão. O Moinho Recife, que era um time composto por funcionários da empresa e por familiares, tinha apenas um ponto ganho e a vitória contra o América, associada à derrota do Flamengo contra o Íbis que jogariam no dia 19, derrubaria “Os Patativas” para a última colocação (seria eliminado) e garantiria o time azul no primeiro turno do campeonato.

Ilustração de América x Moinho Recife pelo Campeonato Pernambucano
de 1947 no Estádio da Ilha do Retiro
A imprensa esportiva anunciava que um fracasso de público, só não deveria ocorrer em virtude do clássico Náutico x Santa Cruz que jogariam um pouco antes pela categoria de amadores com a arbitragem do Sr. José Gaioso em caráter decisivo. Poucas pessoas provavelmente presenciariam uma partida entre o já classificado América e o muito provavelmente eliminado Moinho Recife, era o que diziam os jornais da época. A partida América x Moinho Recife tem o seu início autorizado pelo Sr. Batista da Conceição e o que deu a impressão nos primeiros minutos era que o “Mequinha” iria golear impiedosamente o time azulino. Com Janjoca no lugar de Oséas, o América logo aos cinco minutos abria o marcador numa bela jogada de Ivaldir. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 MOINHO RECIFE. Antes do relógio do árbitro da partida, o Sr. Batista da Conceição, alcançar os dez minutos, o América voltava a mexer no marcador. Ivaldir mais uma vez recebe a bola e dispara rumo à meta defendida pelo goleiro Aurino que nada pôde fazer. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 MOINHO RECIFE e com direito a dois gols do atacante Ivaldir.

Galego, zagueiro do América, em 1947
O alviverde de Casa Amarela recua e passa a valorizar a posse de bola esperando uma reação do adversário que mais parecia já estar entregue à derrota. Eis que de repente aos 40 minutos, numa desatenção da zaga americana, o defensor Galego comete pênalti. O meio campista Lobo do time do Moinho Recife foi para a cobrança e chutou firme no canto do goleiro Amaury, descontando no placar. AMÉRICA 2X1 MOINHO RECIFE. O segundo tempo foi uma partida extremamente desinteressante para o pequeníssimo público presente à Ilha do Retiro, onde o América tocou a bola entre seus companheiros esperando tempo passar. Perto do final do jogo, o atacante Julinho numa boa jogada pela esquerda aumentou a vantagem dos alviverdes. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X1 MOINHO RECIFE e a partida minutos depois foi encerrada com mais uma boa vitória americana.


Nota do Jornal do Commercio de 18 de junho de 1947
comentando a falta de empolgação da partida
Com os resultados subsequentes da rodada, que foram as vitórias do Sport e do Íbis contra Santa Cruz e Flamengo respectivamente, o time Campeão do Centenário terminou o turno eliminatório em quarto lugar, enquanto que o Moinho Recife terminava sua primeira participação em campeonatos pernambucanos num frustrante e eliminatório último lugar. O pequeníssimo público presente gerador de uma renda de apenas 1.172 cruzeiros estava mais empolgado em ver a preliminar, que na verdade, não aconteceu. Os segundos quadros de Náutico e Santa Cruz foram a campo, mas o árbitro José Gaioso, muito menos o representante da Federação Pernambucana de Desportos (FPD), José Clodoaldo, compareceram. A presença de José Clodoaldo não era de extrema importância e qualquer um dos atletas reservas de uma das equipes, poderia executar a função de árbitro, entretanto, nenhuma das agremiações se moveu na intenção de realizar a partida e simplesmente ela deixou de ocorrer. Vamos agora às escalações das equipes da partida América 3x1 Moinho Recife em 16 de junho de 1947 no Estádio da Ilha do Retiro:






AMÉRICA:
Amaury;
Galego e Seixas;
Arnaldo, Capuco e Astrogildo;
Zezinho, Julinho, Valdeque, Ivaldir e Janjoca.


MOINHO RECIFE:
Aurino;
Querrenca e Valdemar;
 Lobo, Apolinário e Zezé;
Alcides, Amaro, Setenta, Lulinha e Lulu.


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