domingo, 9 de março de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 4x0 Bahia em abril de 1951

Capa esportiva do jornal recifense Folha da manhã de 23 de abril
de 1951 relatando a partida América x Bahia nos Aflitos
As Memórias Esmeraldinas de hoje fará o relato de um grande amistoso do América do Recife. Trata-se de um amistoso de preparação para o campeonato pernambucano contra o Esporte Clube Bahia, um dos grandes times do país, no ano de 1951. Neste ano nascia o ex-goleiro da Seleção Brasileira Waldir Peres (que jogou inclusive no Santa Cruz em 1988), Os jornalistas mineiros Fernando Vanucci e Milton Neves, o ator australiano Geoffrey Rush (participante dos filmes “A Menina que Roubava Livros” de 2013 e “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” de 2007) e o vocalista britânico Rob Halford, principal elemento da banda Halford, conhecida por álbuns como “Wintersongs” de 2009 e “Halford IV – Made of Metal” de 2010. Ainda em 1951, A Líbia declara sua independência com relação à Itália e coroa Idris I como seu primeiro rei, é criada a UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco) e Getúlio Vargas é eleito pelo voto direto presidente do Brasil, assumindo este posto desta vez por vias democráticas.


Ilustração da partida América x Bahia no Estádio dos Aflitos
Após o vice-campeonato pernambucano de 1950, o América entrava em fase de preparação para a disputa do estadual do ano seguinte e em 23 de abril de             1951 estava marcado um grande amistoso interestadual contra o Esporte Clube Bahia no Estádio dos Aflitos. Os tricolores de Salvador, que ficariam hospedados no Palace Hotel no bairro de Boa Viagem, eram os atuais tetracampeões baianos e chegavam a Recife a convite do Clube Náutico Capibaribe, clube com o qual faria sua última partida da excursão a Pernambuco. Antes de enfrentar os alvirrubros, o Santa Cruz e primeiramente o América, mediriam forças com o time do Bahia, que possuía o lendário goleiro Leça, ex-ídolo da torcida americana e do futebol pernambucano. O torcedor do Periquito de Casa Amarela estava ansioso de ver as estreias no time do América, dos jogadores Hamilton, atacante ex-Flamengo/RJ, Espanhol, goleiro ex-Madureira/RJ e Dário Sergipano, ex-atleta do Sport Club do Recife.

Goleiro Borracha do América aparece no canto direito e
executa uma importante defesa
O árbitro Argemiro Félix autoriza o início da peleja e os primeiros vinte minutos de partida aconteceram em meio a um grande equilíbrio técnico entre os oponentes, vindo a surgir grandes chances de gol em ambos os lados, empolgando o grande público que preenchia as arquibancadas do Estádio dos Aflitos naquela segunda-feira de futebol na capital pernambucana. A partir de então o Alviverde da estrada do Arraial começou a melhorar na partida, colocando a bola no chão e sendo o responsável pelos lances de perigo ao gol adversário. Aos 30 minutos, o América tem uma ótima chance, mas o goleiro Leça (agora no Bahia) fez duas grandes defesas consecutivas, até que a bola parou nos pés do atacante Isaías que chutou onde o “Magro Leça” mesmo com sua altura, não podia alcançar. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 BAHIA. O “Mequinha” continuou pressionando e colocou o Bahia contra a parede e os defensores tricolores faziam o possível para espantar o perigo de gol do gol defendido pelo arqueiro do Tricolor da Boa Terra.

Atacante Macaquinho do América do Recife
no início dos anos 1950
O segundo tempo começa e para a surpresa dos presentes, o Esporte Clube Bahia não conseguia repetir o bom futebol do qual já era bem conhecido, tendo o América aparecido várias vezes cara a cara com o goleiro adversário, vindo a errar o arremate devido simplesmente à falta de pontaria. Mas quando há Macaquinho no jogo, o placar com certeza não fica zero a zero. Aos 27 minutos, Macaquinho do América recebe a bola e avança e vê o goleiro Leça fora de posição e então, solta um chute colocado na forquilha, para fazer o segundo gol dos esmeraldinos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 BAHIA.

Capa esportiva do Jornal Folha da manhã
do Recife enaltecendo a vitória americana
Os pernambucanos continuaram melhores na partida, o que levou o torcedor local que uma vitória contra o Esquadrão de Aço seria apenas uma questão de tempo. Aos 40 minutos, Hamilton se livra da marcação adversária e quando o goleiro Leça do Bahia dava um pulo para a esquerda, ele chuta no canto direito “quebrando” a tentativa do legendário goleiro. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X0 BAHIA. A torcida do América aliada com as demais torcidas do estado de Pernambuco se regozijavam e comemoravam o estridente resultado que se obtinha até aquele momento em cima dos tricolores baianos, dando a sincera impressão de que o América faria mais um grande papel no campeonato pernambucano, na intenção de acabar com o jejum de seis anos sem títulos estaduais.

Nota do jornal Folha da manhã de 24 de abril de 1951
evidenciando a vitória do "Mequinha" contra o EC Bahia
Aos 43 minutos quando a torcida ainda comemorava o gol de Hamilton, Macaquinho avança pelo lado direito de ataque e num lance que misturou chute a gol com cruzamento na área, a bola passa quase sem pretensões sobre o goleiro Leça, que se encontrava adiantado, e entra exatamente “onde a coruja dorme” para estremecer os Afltos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X0 BAHIA e o amistoso terminava com uma grande e inesperada goleada em cima do esquadrão de aço do Esporte Clube Bahia. As equipes que naquele dia 23 de abril de 1951 participaram do amistoso América do Recife 4x0 Bahia estavam assim escaladas:





AMÉRICA FUTEBOL CLUBE:
Borracha;
Decadela e Luiz;
Tomires, Sevi e Astrogildo;
Isaías, Hamilton, Macaquinho, Valeriano e Dario.

ESPORTE CLUBE BAHIA:
Leça;
Pedrinho e Nilton;
Evilásio, Ivon e Arnaldo;

Camerino, Carlito, Zé Hugo, Tóia e Izaltino.

Um comentário:

  1. Eu estou com 70 anos e já assisti meu Mequinha em seus dias de glória e quem sabe com esta vitória de 1 X 0 contra o Sport comece a volta por cima.

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