terça-feira, 25 de março de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 4x2 Madureira/RJ em janeiro de 1950

As Memórias Esmeraldinas estão de volta e desta vez vamos abordar um amistoso interestadual em 1950. Neste ano o Brasil sediou pela primeira vez uma Copa do Mundo, Getúlio Vargas foi eleito pelo voto direto presidente do país, era inaugurada através do empresário Assis Chateaubriand em São Paulo a TV Tupi (primeira emissora de televisão do Brasil) e se iniciava a Guerra da Coréia, fazendo as pessoas recordarem os horrores das guerras mundiais passadas. Em 1950 nasciam o treinador de futebol Sebastião Lazaroni (bicampeão carioca pelo Vasco da Gama em 1988 e campeão da Copa América de 1989 com a Seleção Brasileira e atualmente no futebol do Catar), o cantor norte-americano Stevie Wonder (autor de álbuns como “Looking Back” de 1977 e “The Woman in Red” de 1984) e o apresentador Fausto Silva (Faustão). Na música brasileira, a cantora Dalva de Oliveira lançava os sucessos “Tudo Acabado” composto por J. Piedade e Osvaldo Martins e “Errei, Sim” composto por Ataulfo Alves. Isaura Garcia junto com Hervé Cordovil cantavam “Pé de Manacá”, o cantor pernambucano Capiba lançava “Olinda, Cidade Eterna” e por fim, Francisco Alves aparecia nas rádios com o sucesso “Cadeira Vazia” de autoria de Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves sem falar que, o Nordeste cantava o novo sucesso de Luiz Gonzaga, a música “Que Nem Jiló”.

Página esportiva do jornal Folha da Manhã de Recife
em 18/01/1950 destacando a partida América x Madureira


Em 18 de janeiro de 1950 aconteceu o amistoso interestadual inédito América/PE x Madureira/RJ no Estádio dos Aflitos em Recife. O “Tricolor Suburbano”, vice-campeão carioca de 1936, havia feito uma campanha ruim no campeonato carioca de 1949, vindo a ocupar a 10ª colocação (à frente apenas do Canto do Rio), entretanto, vinha animado pelas suas apresentações anteriores nesta excursão a Recife. O time carioca já havia vencido o Sport por 3x1 no dia 06, o Santa Cruz por 3x2 no dia 8 e o confronto contra o Náutico no dia 12 terminou empatado em 3x3. No dia 15 a invencibilidade do Madureira Atlético Clube (trocou o “atlético” por “esporte” em 1972) foi quebrada pela Seleção Pernambucana, que o venceu pelo placar de 4x2 e o jogo de despedida dos gramados recifenses se daria contra o “Mequinha” em um clima bastante festivo.





Goleiro Amaury do América do Recife
No lado do América do Recife, a intenção era apagar a campanha ruim do campeonato pernambucano de 1949, no qual fez uma boa participação no primeiro turno, mas veio a decepcionar, obtendo a última colocação no segundo turno e o jogo contra o Madureira seria uma ótima maneira de desentravar os jogadores que estavam em período de recesso e que somente estreariam no estadual em maio contra o Santa Cruz. De um lado o Madureira/RJ tinha atletas de talento futebolístico muito elogiado como Panzarielo e Canelinha e do outro o América tinha Dequinha, Astrogildo, Cido e Amaury que também eram integrantes da Seleção Pernambucana do treinador Salvador Perini, então uma vitória alviverde neste duelo, não seria nada de improvável. O interessante naquela noite de quarta feira era que a partida América x Madureira teria como preliminar, um jogo festivo entre o elenco representativo do jornal Folha da Manhã e o time do Penarol, que atuava na Liga Suburbana da cidade do Recife. Pouco antes da bola rolar no Estádio dos Aflitos, o Madureira anunciou duas modificações com relação à equipe que enfrentou a Seleção Estadual, que foram a entrada de Panzarielo no lugar de Agnelo e de Betinho no lugar de Tampinha.




Osvaldinho, atacante do Madureira
Com o apito do árbitro Argemiro Félix (Sherlock) a partida América x Madureira foi iniciada e o que se viu foi uma boa apresentação do quadro alviverde e uma atuação abaixo da esperada do time carioca, que muito procurou se defender, entretanto, a genialidade do quinteto de ataque esmeraldino, foi suficiente para vazar a retaguarda do Tricolor Suburbano que tinha como principal peça do setor de defesa o jovem Rubens. Perto da metade do primeiro tempo, o célebre Dequinha inaugura o placar nos Aflitos e assinala o primeiro tento da partida. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 MADUREIRA/RJ. A partida continuou no mesmo ritmo e a torcida que se fazia presente, empolgava-se com as bonitas jogadas armadas pelo meio campista Julinho que brilhou naquela partida.

Poucos minutos antes do árbitro Argemiro Félix dar o 1° tempo como encerrado, em uma bela arrancada do time esmeraldino, a bola sobrou na entrada da área para Valdeque que chutou de forma indefensável para o grande goleiro Princesa do time carioca, para aumentar a vantagem. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 MADUREIRA/RJ. Com um bom placar favorável aos pernambucanos, as duas equipes forma para o intervalo para descansar e ouvir novas instruções de seus treinadores. No América, Dija saiu para dar lugar a Guilherme, enquanto que no lado do tricolor carioca, Valter entrou no lugar de Osvaldinho.

Ilustração de América do Recife x Madureira/RJ em 18 de janeiro de 1950
no Estádio dos Aflitos em Recife
Vem o segundo e tempo e não demorou muito para que em uma bela jogada armada por Valeriano, este se desvencilhou da defesa carioca e não deu chances a Princesa. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X0 MADUREIRA e a torcida pernambucana composta pela união das quatro forças do estado vibravam nas arquibancadas do estádio do Náutico. A equipe carioca não estava bem em campo e o Mequinha se aproveitou. Pouco depois foi a vez de o grande jogador Isaías aumentar ainda mais a contagem no placar dos Aflitos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X0 MADUREIRA.


Jornal Folha da Manhã destacando a vitória sobre os
cariocas no dia seguinte à partida


O América do Recife recua com o placar de 4x0 ao seu favor e dá permissão às investidas da equipe da Guanabara, que aproveita a chance para descontar o placar por intermédio de Cardoso, que fintou a marcação e tocou no canto de Amaury. AMÉRICA 4X1 MADUREIRA. O jogo ficou morno e o Madureira queria deixar a Veneza Brasileira com um resultado menos elástico e conseguiu já no final por meio de um belo gol do atacante Betinho. AMÉRICA 4X2 MADUREIRA. A partida que se antecedeu a este grande jogo terminou com vitória do time representativo do jornal Folha da Manhã por 3x1 contra o Penarol e a renda obtida nesta quarta feira de futebol noturno no Recife, foi de oito mil cruzeiros. As escalações das equipes do jogo América x Madureira nos Aflitos naquele 18 de janeiro de 1950 foram as seguintes:





AMÉRICA: 
Amaury; 
Cido e Procópio; 
Julinho, Dequinha e Astrogildo; 
Isaías, Valeriano, Artur, Valdeque e Dija.

MADUREIRA/RJ: 
Princesa; 
Panzarielo e Rubens; 
Arati, Hermínio e Mineiro; 
Betinho, Canelinha, Cardoso, Benedito e Osvaldinho.




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