quinta-feira, 17 de abril de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 2x0 Ypiranga (BA) em março de 1946

Jornal recifense Folha da Manhã do dia 24 de março
de 1946 destacando o jogo América x Ypiranga (BA)
O ano de 1946 ficou marcado na história devido ao nascimento de pessoas como a atriz britânica Jane Asher (atriz de filmes como “Ato Final” de 1970 e “O Martírio do Silêncio” de 1952), o ex-jogador argentino Hector Yazalde (campeão argentino pelo Independiente em 1967 e 1970 e campeão português pelo Sporting Lisboa em 1973/1974), o cantor José Rico da dupla sertaneja Milionário & José Rico (autores da música “Estrada da Vida” de 1978) e o guitarrista britânico Syd Barret (um dos fundadores da banda de rock Pink Floyd). Faleciam o poeta e compositor Catulo da Paixão Cearense (autor da música “Luar do Sertão” de 1914 e que ficou famosa na voz de Luiz Gonzaga), o então presidente da Bolívia Gualberto Villaroel Lopez (major que assumiu após um golpe militar) e o boxeador norte-americano Jack Johnson (primeiro negro campeão mundial dos pesos pesados em 1908). Na música, os sucessos ficavam por conta de “Baião” do conjunto Quatro Ases e Um Coringa, “Mensagem” de Isaura Garcia, “Minha Terra” de Francisco Alves, “Porta Aberta” de Vicente Celestino e “Meu Ranchinho” de Augusto Calheiros. Era o centenário da descoberta do planeta Netuno, do nascimento da Princesa Isabel e da criação do parlamentarismo no Brasil, o que no papel tinha a finalidade de regular o poder moderador de Dom Pedro I, o que não aconteceu de fato, pois seu representante era indicado pelo próprio imperador.

Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto: eternos poetas e torcedores
ilustres do Ypiranga da Bahia e do América do Recife
Em 24 de março de 1946, o Estádio dos Aflitos seria palco de mais uma grande partida de futebol válida por um amistoso interestadual. Há dois meses do início do campeonato pernambucano, o América recifense marcou um amistoso contra os aurinegros do Ypiranga de Salvador (Bahia), numa tentativa de fortalecer a preparação para o certame estadual, no qual iria em busca de mais um título dois anos depois da sua última conquista. O Alviverde da Estrada do Arraial vinha em boa fase, após o título de campeão pernambucano de 1944 e do vice-campeonato de 1945 e uma boa preparação era fundamental para lucrar mais um título. Por outro lado, o Esporte Clube Ypiranga, que já colecionava nove títulos de campeão baiano sendo o último em 1939, havia sido o 5° colocado entre seis disputantes no “Baianão-45” e estava usando a excursão a Pernambuco (já haviam perdido para Sport e Santa Cruz) para melhorar a equipe que buscaria o décimo título estadual na Bahia. América (PE) x Ypiranga (BA) poderia inclusive receber a alcunha de “Clássico dos Poetas”, uma vez que colocava em lados opostos o poeta baiano Jorge Amado (fanático pelo Ypiranga) e o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (fervoroso pelo América).


Capuco e Pedrinho: defensores do América nos anos 40
O público chegou mais cedo para acompanhar a preliminar que haveria entre as equipes amadoras do Atlântico e do Fábrica Iolanda sob a arbitragem do Sr. Albino Machado, que começou duas horas antes. Por meio de convite da diretoria do América, o Sr. Antônio Carlos Godinho (dirigente do Ypiranga) foi indicado para ser o árbitro do embate entre pernambucanos e baianos. O início da partida pôs frente a frente duas equipes em fase de preparação para as suas respectivas competições estaduais e muito em função disto, o primeiro tempo de jogo não rendeu ao torcedor presente ao Estádio dos Aflitos, as grandes jogadas que eram esperadas dos times em campo. O jogo era morno e as duas equipes estavam iguais inclusive nos erros de passes, todavia, o América por conhecer melhor o gramado e ter o apoio da torcida, realizou perto do final do primeiro tempo algumas tentativas de gol, mas que pararam na boa exibição do goleiro Bomfim do time baiano.


Ilustração de América do Recife x Ypiranga de Salvador em jogo amistoso
realizado no Estádio dos Aflitos em Recife em 1946
Antes do início do segundo tempo as duas equipes resolveram fazer algumas alterações. No América do Recife, o atacante Edgar foi recuado para o meio campo no lugar de Capuco e seu lugar no ataque foi ocupado por Zezinho, que apenas trocou de posição e abriu espaço para a entrada do atacante Janjoca no time titular. Em compensação, pelo lado do time de Salvador, Raimundo entrou no lugar de Catita no meio campo e no ataque Lisálvaro saiu e Cacuá foi deslocado para a sua posição, abrindo espaço para a entrada de Joãozinho. O grito de gol da torcida verde e branca recifense saiu quando aos 28 minutos da etapa final, Djalma serviu com maestria para Zezinho, que de pé esquerdo chutou no canto indefensável do goleiro do Ypiranga. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 YPIRANGA (BA) e a torcida americana sacudia as arquibancadas do estádio do Náutico.

Folha da Manhã de 26/03/1946 escrachando a
desenvoltura dos times em campo na parte superior
Apenas dois minutos mais tarde, o América atacou novamente, mas o lançamento não encontrou nenhum jogador alviverde, em condições físicas de ficar com a bola que ia saindo calmamente pela linha de fundo até que o goleiro Bomfim do Ypiranga (BA) resolveu ir atrás dela para rebater. O que ninguém esperava era que nessa rebatida o goleiro do time aurinegro baiano viesse a escorregar e entregar a bola de bandeja para Janjoca que com o gol escancarado anotou o segundo gol dos pernambucanos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 YPIRANGA (BA) e a torcida esmeraldina festejava aquele resultado parcial de vitória, que se estendeu até o final da partida. Mesmo havendo a arbitragem de um dirigente do Ypiranga, este levou o jogo todo com elogiável imparcialidade em todos os lances que mereceram ser apontados. O jogo preliminar entre Atlântico e Fábrica Iolanda terminou com um empate em 2x2 e de acordo com a imprensa escrita, foi um jogo mais movimentado do que a partida principal, sendo assim, a renda da rodada dupla nos Aflitos foi de um pouco mais do que doze mil cruzeiros e as equipes de América 2x0 Ypiranga da Bahia naquele dia 24 de março de 1946 foram as seguintes:




AMÉRICA:

Leça;
Deusdedith e Lucas;
Barbosa, Capuco e Galego;
Zezinho, Julinho, Djalma, Edgar e Valdeque.

YPIRANGA DA BAHIA:
Bomfim;
Hélio e Gregório;
Catita, Lourenço e Joel;
Cacuá, Jaime, Caçaçau, Lisálvaro e Elias.




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