sexta-feira, 23 de maio de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 2x1 Great Western em julho de 1946

Diário de Pernambuco de 18/07/1946 destacando a
confiança americana numa vitória
Em 1946 nasciam o treinador Ferdinando Teixeira (várias vezes campeão potiguar com o Alecrim, América-RN e ABC e campeão cearense com o Fortaleza em 2001, mesmo ano em que trabalhou no Santa Cruz), a atriz Esther Góes (atuou na novela “O Pátio das Donzelas” de 1982 e no filme “Eternamente Pagu” de 1987), o ex-jogador Dadá Maravilha (campeão pernambucano com o Sport em 1975 e 5° maior goleador da história do futebol do Brasil), o ator Cláudio Cunha (atuou no filme “A Praia do Pecado” de 1978), o treinador Jair Pereira (campeão pernambucano de 1973 pelo Santa Cruz (como atleta), campeão da Copa do Rei da Espanha pelo Atlético de Madri (já como técnico) e com passagem pelo Sport em 2001) e o ex-goleiro Jairo (campeão paulista de 1977 com o Corinthians e com passagem no Náutico em 1981). Morria o compositor José Luis da Costa (conhecido como Príncipe Pretinho e autor de músicas gravadas pela cantora Dalva de Oliveira como “Menina de Vestido Branco” de 1940). Neste ano o presidente General Eurico Gaspar Dutra tornou ilegal a existência de jogos de azar no país, a Síria declarou a sua independência e com o fim da II Guerra Mundial, a FIFA decidiu que a Copa do Mundo de 1950 seria no Brasil, pois a Europa estava apenas começando a se reerguer após o conflito bélico.

A segunda rodada do turno final do campeonato pernambucano de 1946 foi prosseguida com a partida entre o América e a Associação Atlética da Great Western no Estádio dos Aflitos no dia 18 de julho de 1946. O clube da Estrada do Arraial havia feito um grande primeiro turno (eliminatório) ficando em primeiro lugar, o que animou a torcida americana sobre a conquista de mais um título pernambucano, dois anos após a conquista de 1944. A esperança aumentou ainda mais quando no primeiro jogo do turno final, o América derrotou o Sport por 4x2 e a partida contra o time da companhia ferroviária, era de suma importância para a manutenção desta meta, que era a de conquistar seu sétimo troféu estadual.

Capuco (à esquerda) e Pedrinho (à direita): os guardiões
do meio campo do América na década de 1940


Os tricolores da estrada de Ferro, já não vinham com a mesma animação do América, pois haviam perdido de 6x2 para o Náutico e de 11x1 para o Santa Cruz, sendo então credenciado pela crônica esportiva pernambucana, como um provável saco de pancadas dos grandes do estado. O “Mequinha” do treinador Álvaro Barbosa um dia antes havia chegado da cidade de Natal-RN, local onde disputou três jogos válidos pela Copa Cidade de Natal (Torneio do Nordeste) no qual os pernambucanos obtiveram uma vitória contra o Treze-PB por 3x0 e duas derrotas, uma delas contra o Fortaleza (campeão) por 5x4 e a outra para o América de Natal por 2x1. Apesar do cansaço da equipe pela viagem, ressaltando as condições de transporte na época, a expectativa dos atletas esmeraldinos quanto à vitória contra o Great Western era grande, haja vista a maneira pífia que o adversário havia sido goleado nas duas últimas rodadas.

Ilustração de América x Great Western no Estádio Eládio de Barros
Carvalho (Aflitos) pelo campeonato pernambucano em julho de 1946
O jogo seria antecedido por uma preliminar entre as mesmas equipes, ambas na categoria de amadores, sendo ela arbitrada pelo Sr. Hugo de Morais e com o América escalado com Bananinha no gol, Darcy e Lilildo na defesa, Quincas, Paulo e Bartô no meio campo e Tomaz, Seixas, Moacir, Alexandre e Aílton no ataque. Quando o relógio apontou nove e meia da noite, o Sr. Leon Markman (com Armênio de Brito e Batista da Conceição como bandeirinhas) deu início à partida principal entre os “profissionais” de América e Great Westerm no campo do Náutico e logo no início o que se observou foi uma melhor qualidade técnica do América, apesar de lances que geraram pânico da defensiva verde e branca, devido a ataques fulminantes dos tricolores ferroviários. O time que havia levado seis do Náutico e onze do Santa Cruz, resolveu complicar a vida dos “periquitos” e aos 28 minutos Beroni, do Great Western numa bela jogada é derrubado dentro da área pelo defensor Galego do América, lance que o árbitro, não teve dúvidas e assinalou o pênalti a  ser cobrado contra o “Mequinha”. Lindolfo bateu e fez o primeiro gol da noite. AMÉRICA 0X1 GREAT WESTERN e a torcida esmeraldina começava a coçar a cabeça. A apreensão aumentou quando o time da G.W.B.R. perdeu aos 30 minutos uma chance incrível de aumentar sua vantagem no placar. O América depois deste lance equilibrou a partida, havendo então, lances de perigo em ambos os lados, porém, o primeiro tempo terminou 1x0 para o adversário.

Folha do Diário de Pernambuco destacando o esforço do
Great Western contra o América
O 2° tempo começou melhor e logo aos 5 minutos, Edgar do América chuta cruzado e com força para dentro da área e eis que surge o infeliz zagueiro Biu do Great Western, que de “carrinho” toca a bola contra seu próprio gol de modo acidental. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X1 GREAT WESTERN. A torcida americana começava a festejar nas arquibancadas e explodiu de vez quando dez minutos após o gol de empate, o jogador Djalma do América fez uma grande jogada, entrando com perigo na grande área, sendo então derrubado por Rodolfo do Great Western, lance no qual sem pestanejar, o árbitro Leon Markman apitou o pênalti a favor dos garotos de Casa Amarela.

Djalma: célebre atacante do América dos anos
1940. Quando precisou, ele estava lá








O mesmo Edgar que havia empatado a partida foi o encarregado pela cobrança. Ele correu e chutou firme, porém para fora, passando a pelota por cima da baliza defendida pelo goleiro Nico do time das ferrovias. Frustração nos Aflitos. Jogadas de perigo dos dois clubes continuaram a acontecer levantando cada uma das torcidas nas arquibancadas e quando o relógio acusou os 40 minutos de jogo, a torcida do América já estava lamentando o empate como algo irremediável. É nessas horas que brilha a estrela do craque de chuteiras e o nome dele era Djalma. O mesmo jogador que deu origem ao lance do pênalti dominou a bola no meio campo e disparou como um animal faminto a capturar uma presa e saiu driblando toda a defesa tricolor para já dentro da área chutar e estufar as redes do goleiro Nico. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X1 GREAT WESTERN. Vitória conquistada de forma tão brilhante quanto angustiante, diferentemente do que transcorreu na preliminar na categoria de amadores, na qual o América saiu vencedor por quatro tentos a um. Esta noite de futebol nos Aflitos proporcionou uma renda de 2.070 cruzeiros e as equipes deste grande jogo estiveram assim dispostas:





AMÉRICA:
Leça;
Galego e Deusdedith;
Pedrinho, Capuco e Arnaldo;
Janjoca, Jarbas, Djalma, Edgard e Oséas.

GREAT WESTERN:
Nico;
Biu e Rodolfo;
Procópio, Boneco e Damião;
Badu, Milton, Lindolfo, Beroni e Narciso.




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