segunda-feira, 19 de maio de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: Náutico 1x1 América em janeiro de 1981


Folha do Diário de Pernambuco de 21/01/1981

Em 1981 a Mauritânia se tornou o último país a abolir a escravatura e o Belize proclamou a sua independência. Nasciam o atacante Adriano Magrão (com passagens pelo Sport em 2006 e pelo Náutico em 2009), a cantora Mary Demurtas (vocalista da banda Tristania), o jogador de basquete pernambucano João Paulo Batista (campeão da Copa América de Basquete em 2009 com o Brasil) e o jogador Márcio Alemão (com passagem no Santa Cruz em 2006). Faleceram neste ano o ex-jogador romeno Ladislau Raffinsky (atuou pela Romênia na Copa do Mundo de 1930), o compositor Mário Rossi (autor da música “Bodas de Prata” cantada na voz de Carlos Galhardo em 1945) e o ex-treinador uruguaio Felix Magno (campeão gaúcho de 1940 com o Internacional (como jogador) e paranaense com o Coritiba em 1959 (como treinador), além de ter sido técnico do Santa Cruz em 1952). Na música, os destaques eram “Endless Love” de Diana Ross & Lionel Richie, “Lua e Estrela” de Caetano Veloso e “Caçador de Mim” de Milton Nascimento.

Palavras de Roberto Brida

O dia 21 de janeiro de 1981 marcou o inicio da quarta rodada do campeonato brasileiro da segunda divisão (Taça de Prata), com destaque para a partida Náutico x América no Estádio do Arruda. O América vinha de vitória contra o Central e de empates contra o Treze-PB e o Botafogo-PB, enquanto que o Náutico vinha de vitórias contra ASA-Al e Confiança-SE e de empate contra o ABC-RN. No time de Conselheiro Rosa e Silva, o treinador Roberto Brida tentava ajustar a equipe para furar um possível bloqueio defensivo imposto pelo América e para isso, colocava fé na qualidade de jogadores como Pitter, Marquinhos, Reinaldo e Evaristo, que teriam a missão de levar seu clube à vitória.

Palavras de Jálber Carvalho

O treinador alvirrubro alertou que seus jogadores iriam entrar em campo como num verdadeiro clássico, pois o América já havia mostrado sua qualidade na temporada passada e tinha tudo para ser um adversário difícil de ser batido. Saindo dos Aflitos para Casa Amarela, o treinador alviverde Jálber Carvalho relatou que o Náutico era o favorito, mas que devido à técnica e a força de vontade de seus atletas, confiava completamente neles e que uma vitória seria algo normal, uma vez que o América também era um clube tradicional de Pernambuco. Na tarde do dia anterior a este “Clássico da Técnica e da Disciplina”, o treinador Jálber carvalho comandou um treino no campo do Clube Locomoção em Jaboatão, como maneira de deixar os jogadores aptos para o desafio no Estádio do Arruda.

Diário de Pernambuco destaca o fato do América estar invicto
A liberação do jogador Marcos Pintado por parte da FPF era aguardava com ansiedade, pois Jálber Carvalho se mostrava preocupado com o setor ofensivo da equipe, que ainda não havia balançado as redes adversárias em três jogos, tendo o meio campo Givaldo anotado o único gol americano até o momento. Para a felicidade de Jálber, a liberação do atleta Marcos Pintado havia chegado a tempo e ele entraria como titular na equipe. No jogo daquela quarta à noite no Arruda, o árbitro seria o Sr. Manuel Amaro, auxiliado por José Almeida e Arlindo Maciel nas laterais.

Ilustração de Náutico x América pela Taça de Prata de 1981 no Estádio José
do Rego Maciel (Arruda)
No primeiro tempo houve poucas chances de gol e como o treinador Roberto Brida do Náutico já havia adiantado, o América veio para o jogo retrancado em sua defesa aproveitando os contra-ataques para faturar o gol. Como o ataque do América não ia bem, este pouco finalizou contra o goleiro alvirrubro Jairo, que por sua vez, viu em grande parte da etapa inicial uma disputa entre o bom ataque do Náutico, contra uma defesa muito bem postada, por parte do América, se caracterizando numa verdadeira muralha. 

Marcação forte do América em cima de Pinheirense do Náutico
No final do primeiro tempo, o ataque alvirrubro foi desarmado gerando um belo contra-ataque do América que avançou com perigo, indo a bola até o atacante Marcos Costa que enxergou Marcos Pintado se livrando da marcação do Náutico e lhe fez um belíssimo passe para o deixar frente a frente com o goleiro Jairo, que desesperado saiu do gol para defender a bola sem sucesso, pois, Marcos Pintado deu um toque sutil na bola para encobri-lo e para balançar as redes alvirrubras. É GOL DO AMÉRICA! NÁUTICO 0X1 AMÉRICA no Estádio José do Rego Maciel.

Defesa do América atuando de forma muito eficiente. Destaque para
a atuação do goleiro Batista, se agachando para agarrar a bola
O América voltou para o segundo tempo na intenção de segurar o resultado e se fechou na defesa e com isso levou uma pressão impressionante do clube aristocrático. A pressão alvirrubra rendeu resultado aos 20 minutos, quando Jadir lançou Evaristo, que tocou para Reinaldo, que com um giro de corpo se livrou da marcação e chutou sem chances no canto do goleiro Batista para empatar o resultado. NÁUTICO 1X1 AMÉRICA. No Náutico o atacante Brás entrou no lugar de Evaristo, enquanto que no América Valdir entrou no lugar do atacante Rivaldo e Régis entrou no lugar de Marcos Costa. O Náutico atacou de forma veemente, mas esbarrou na muralha verde e branca ajustada, mediante os conselhos do treinador Jálber Carvalho e a partida terminou com um resultado positivo para o clube da Estrada do Arraial que seguiu invicto no campeonato brasileiro daquele ano.

Destaque do Diário de Pernambuco de 22/01/1981
No complemento da rodada o Central venceu o Treze em Caruaru, o Botafogo de João Pessoa venceu o Confiança e ABC e ASA empataram em Natal e desta forma, Náutico e América dividiram a segunda colocação do grupo com os mesmos cinco pontos, tendo os alvirrubros vantagem no número de vitórias. 5.431 torcedores estiveram presentes ao Arruda e geraram uma renda de 378.200 cruzeiros. As equipes deste grande clássico estavam escaladas da seguinte forma:




NÁUTICO:
Jairo;
Lourival, Dimas, Pinheirense e Carlinhos;
Luciano, Jadir e Evaristo;
Pitter, Reinaldo e Marquinhos.


AMÉRICA:
Batista;
Gonçalves, Nilo, Geraílton e Escada;
Williams, Pedrinho e Givaldo;

Rivaldo, Marcos Costa e Marcos Pintado.

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