sexta-feira, 20 de junho de 2014

O América de João Cabral




O amor do poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999) ultrapassa as barreiras da literatura. Além do seu talento nato pela escrita, o poeta pernambucano também era apaixonado por futebol, sobretudo, pelo América, seu clube do coração e onde teve a oportunidade de desfilar seu talento com a bola nos pés nos anos 30, pelo team juvenil do Alviverde da Estrada do Arraial. Deixando a carreira de volante de lado aos 16 anos de idade, levou consigo a paixão pelas cores verde e branco até o fim de sua vida.

É com este enredo que o curta-metragem “O Poeta Americano” resgata esta paixão cabralina, fazendo um passeio pelos poemas do escritor para ilustrar a paixão do time do coração de João Cabral. Com duração de 10 minutos, a obra cria a pretensão de visitar o jogador de futebol João Cabral e não o poeta, que é bastante conhecido pelo público em geral. Não só isso, o documentário dirigido pelo cineasta Lírio Ferreira  (que também é corroteirizado com Marcelo Luna, fotografado por Pedro Sotero e montagens de Camila Valença)retrata de forma clara e evidente a forte especulação imobiliária e verticalização que o Recife vem sofrendo nos últimos anos, mostrando o casarão do América arrodeado de edifícios e o tradicional edifício Caiçara, parcialmente demolido pela Rio Ave Construtora.

Feito sob encomenda para o SescTV, “O Poeta Americano” faz parte do projeto “Cores do Futebol”, proposta pela Global Media Exchange e pela Televisão América Latina (TAL), vinculada a tevês públicas em cinco países latino-americanos. O documentário foi um dos destaques na mostra CineFoot Tour, realizada no Cinema São Luiz, que por sinal chegou a sua quinta edição, fazendo no encerramento do festival, as devidas homenagens ao centenário do América Futebol Clube e a primeira apresentação pública do filme.

Antes da apresentação do filme no CINEfoot, Lírio Ferreira mostrou-se muito feliz com a produção realizada. “Acho que o João tem muito de mim. Ele amava o time desde que o esporte ainda vivia em uma época precária”, comentou o cineasta sobre “O Poeta Americano”.


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