quarta-feira, 30 de julho de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 1x1 Madureira/RJ em abril de 1951

Jornal Folha da Manhã do Recife de 12 de abril
de 1951 destacando América x Madureira.
Em 1951 nasciam o ator norte-americano Joe Pantoliano (ator nos filmes “Matrix” de 1999 e “Demolidor – O Homem sem Medo” de 2003), o ex-ator Ariel Coelho (ator em filmes como “Índia, A Filha do Sol” de 1982 e “Brás Cubas” de 1985), o ex-jogador holandês Johnny Rep (tricampeão da Liga dos Campeões da UEFA com o Ajax Amsterdã em 1973 e vice-campeão mundial de 1974 com a Seleção Holandesa), o ex-jogador escocês Kenny Dalglish (campeão da Liga dos Campeões da UEFA com o Liverpool em 1984), o ex-jogador Gilberto Sorriso (campeão paulista de 1975 com o São Paulo e de 1978 com o Santos), o músico norte-americano Brad Delp (ex-vocalista da banda de rock Boston), o músico irlandês Brian Downey (ex-baterista da banda de rock Thin Lizzy), o treinador Fito Neves (treinador do Sport em 1999 e do Santa Cruz em 2008), e os cantores Amado Batista (natural de Goiás) e Roberto Leal (português radicado no Brasil). Faleciam o ex-jogador gaucho Candiota (campeão carioca de 1927 com o Flamengo), o ex-jogador belga Pierre Braine (defendeu a Bélgica na Copa de 1930) e o produtor cinematográfico Val Lewton (produtor nos filmes “O Sangue da Pantera” de 1942 e “A Sétima Vítima” de 1943). Na música, os sucessos ficavam por conta de “Adeus Maria Fulô” com Os Mutantes, “Afinal” com Os Cariocas, “Estrada de Canindé” com Luiz Gonzaga, “Vingança” com Lupicínio Rodrigues e “Palhaço” com Nélson Cavaquinho.

Folha da manhã de 12/04/1951 destaca a partida
Preparando-se para a disputa do campeonato pernambucano contra o Santa Cruz em agosto, o América acertou um amistoso interestadual a se realizar no dia 12 de abril de 1951 no Estádio dos Aflitos contra o Madureira Esporte Clube do Rio de Janeiro, então capital federal. No clube pernambucano a expectativa era sobre a possível estreia de dois atletas contratados junto ao futebol carioca e paraibano. Eram o atacante baiano Hamilton, vindo do Clube de Regatas Flamengo/RJ e o zagueiro paraibano Botinho, oriundo do Botafogo de João Pessoa. 

Ilustração de América x Madureira em amistoso interestadual em 12/04/1951
no Estádio dos Aflitos em Recife
Os tricolores cariocas queriam uma revanche, pois, ainda não haviam engolido a derrota sofrida por 4x2 um ano antes, também no Estádio dos Aflitos. Depois de vencer Santa Cruz e Sport e de empatar com o Náutico, o Madureira sucumbiu diante da magistral categoria dos atletas esmeraldinos. Enquanto os americanos tinham sido vice-campeões pernambucanos em 1950, o Madureira havia sido o 8° colocado em um campeonato carioca com 11 participantes. Quem chegasse mais cedo aos Aflitos, poderia acompanhar a preliminar envolvendo as equipes do Náutico e do Auto Esporte do Recife, custando o ingresso apenas 20 cruzeiros para a arquibancada e 10 cruzeiros para o setor geral, militares, senhoras, crianças e sócios de América, Santa Cruz, Sport e Náutico. Depois da vitória do Auto Esporte do Recife sobre o Náutico por 1x0 na preliminar, a bola rolou as 21:30 para América do Recife e Madureira do Rio de Janeiro sob a arbitragem de Luiz Zago. O Madureira começou melhor na partida e encurralou o América na defesa logo no começo da peleja. Aos 15 minutos, o meia Hermínio tocou a bola para Tampinha, que forçou Borracha, o goleiro do América, a fazer uma grande defesa. 

Folha da Manhã um dia depois comentando
o empate de 1x1
Aos 30 minutos a equipe carioca se lançou novamente para o ataque por intermédio de Claudionor, que cruzou rasteiro para o atacante Alfredinho chutar rente às traves defendidas pelo goleiro Borracha. Aos 35 minutos, a primeira grande jogada de gol do América aconteceu depois de uma bela jogada armada pelo meia Astrogildo, que lançou Macaquinho na frente para chutar forte e no canto, mas, o goleiro Espanhol agigantou-se e evitou um gol certo dos pernambucanos. A boa desenvoltura do Madureira deu resultado aos 40 minutos quando Ocimar encontrou Betinho livre de marcação e este último, não desperdiçou, fazendo o primeiro gol do jogo. AMÉRICA 0X1 MADUREIRA/RJ e desta forma terminou o primeiro tempo nos Aflitos. No intervalo, os cariocas mexeram na equipe e entraram Davidson no lugar do meio-campista Hermínio, Canelinha no lugar de Alfredinho e Pedro no lugar de Tampinha, ambos no ataque. Depois do descanso do intervalo regulamentar o América começou o segundo tempo de forma mais organizada e as jogadas com perigo de gol começaram a surgir, muito em virtude dos gritos de incentivo que vinham das arquibancadas. Numa jogada que começou com Decadela na zaga, a bola sobrou para o meia Tomires, que avançou em direção ao gol e quase dentro da grande área encontrou o atacante Isaías em melhores condições. Rapidamente lhe passou a bola e Isaías, livrando-se da marcação de Agnelo, chutou sem chances contra o goleiro Espanhol. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X1 MADUREIRA/RJ e a torcida, cerca de 1020 espectadores, comemoravam o gol de empate.

Nota de destaque do jornal Folha
da Manhã sobre a partida
O “Tricolor Suburbano”, como é conhecido, queria a vitória e foi para cima. Aos 25 minutos, Claudionor fez ótimo lançamento para o atacante Jorge, que chutou para a boa defesa do goleiro Borracha. Animado pelo público, os esmeraldinos tiveram aos 40 minutos uma ótima chance de virar o placar, depois que Sevi passou a bola para Celedino, que não aproveitou a oportunidade. No tempo correto, o árbitro Sr. Luiz Zago apitou o final da partida com resultado de empate e os cariocas não conseguiam a desejada revanche. A renda da partida foi de Cr$ 18.200 (dezoito mil e duzentos cruzeiros) e as equipes deste importante amistoso interestadual foram as seguintes:

AMÉRICA: 
Borracha; 
Decadela e Betinho; 
Tomires, Sevi e Astrogildo; 
Isaias, Carneiro, Macaquinho, Roberto e Celedino.

MADUREIRA/RJ: 
Espanhol; 
Galego e Agnelo; 
Claudionor, Hermínio e Valter; 
Betinho, Jorge, Alfredinho, Ocimar e Tampinha


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