segunda-feira, 18 de agosto de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 1x0 Ferroviário do Recife em abril de 1968

Diário de Pernambuco do dia 27 de abril de 1968 sobre
a partida América x Ferroviário nos Aflitos
Nasciam em 1968 a atriz norte-americana Ashley Judd (atriz em filmes como “Crimes em Primeiro Grau” de 2002 e “Risco Duplo” de 1999), o ator norte-americano Owen Wilson (ator nos filmes “Anaconda” de 1997 e “Os Estagiários” de 2013), o músico escocês Ray Wilson (vocalista da banda de rock Genesis), o ex-jogador Mauro Silva (campeão paulista de 1990 com o Bragantino e da Copa de 1994 com a Seleção Brasileira), o ex-jogador italiano Paolo Maldini (campeão mundial de clubes em 2007 com o Milan/ITA), o ex-goleiro Velloso (campeão brasileiro de 1994 com o Palmeiras), o ex-jogador francês Didier Deschamps (campeão mundial de clubes de 1996 com a Juventus/ITA e da Copa de 1998 com a Seleção Francesa), o ex-jogador Édson Silva (campeão pernambucano com o Sport em 1991), o ex-zagueiro Fernando Silva (campeão pernambucano de 1990 com o Santa Cruz) e o ex-zagueiro Cerezo (com passagem pelo Náutico em 1994). Falecia o químico alemão Otto Hahn (vencedor do prêmio Nobel de química em 1944), o ator gaúcho Amílton Fernandes (ator na novela “Direito de Nascer” de 1964 e no filme “O Vendedor de Linguiça” de 1962), o poeta pernambucano Manuel Bandeira (autor de livros como “A Cinza das Horas” de 1917 e “Libertinagem” de 1930), o escritor norte-americano John Steinbeck (autor de livros como “A Leste do Éden” de 1952 e “As Vinhas da Ira” de 1939) e o ex-treinador italiano Vittorio Pozzo (campeão das copas de 1934 e 1938 com a Seleção Italiana). Em meio à ditadura as rádios tocavam os sucessos “Para Não Dizer que Não Falei das Flores” com Geraldo Vandré, “Eu Tenho um Amor Melhor que o Seu” com Roberto Carlos, “Sá Marina” com Wilson Simonal, “A Pobreza” com Leno e Lilian, “Europa, França e Bahia” com Capiba e “De Juazeiro a Crato” com Luiz Gonzaga.


Treinador Dante Bianchi confiante contra o Ferroviário do Recife
O América realizou um de vários tradicionais confrontos contra o Ferroviário do Recife no dia 27 de abril de 1968, dia da sétima e última rodada do primeiro turno do campeonato pernambucano daquele ano. A partida a ser realizada no Estádio dos Aflitos teria uma cara de amistoso, pois, ambas não aspiravam ao título do turno inicial e já estavam classificadas para o turno seguinte, entretanto, a vitória daria aos americanos a quinta colocação, uma acima do próprio Ferroviário, logo, seria um confronto direto. O alviverde, que tinha cinco pontos, vinha de grande vitória sobre o Íbis por 5x0, enquanto que, o tricolor da estrada de ferro, possuidor de quatro pontos, vinha de vitória por um gol a zero contra o Santo Amaro.

Ferroviário queria a vitória a qualquer custo
Haveria uma preliminar válida pela categoria de juniores um pouco mais cedo, na qual, caso o América saísse vencedor levantaria o título de campeão do primeiro turno da categoria. Haja vista a importância do confronto, os atletas juniores por decisão do dirigente Constantino Barbosa, ficaram concentrados no Hotel Treze de Maio na Boa Vista, esperando a hora do duelo. O clima entre os profissionais era de tranquilidade com a classificação ao segundo turno garantida e com isso, o treinador Dante Bianchi revelou à imprensa que o time titular, que ficaria concentrado no casarão da Estrada do Arraial, seria o mesmo que goleou o Íbis na rodada passada e que está bastante confiante em um novo sucesso do clube do bairro de Casa Amarela. As fortes chuvas que caíram no dia que antecedeu a partida impossibilitaram que o Ferroviário treinasse no campo da Vila Ypiranga em Afogados sob os cuidados do treinador Geraldo José. Devido às condições impraticáveis do seu campo de treinamento, os atletas tricolores da RFFSA fizeram treino individual com o preparador físico Luiz Alexandrino e logo depois, os atletas foram concentrados no Hotel Capibaribe, esperando a hora do confronto contra o América.


Ilustração de América x Ferroviário do Recife no Estádio dos Aflitos pelo
Campeonato Pernambucano de 1968
Com a arbitragem de Sebastião Rufino, a bola rolou no tapete verde do gramado do Estádio Eládio de Barros Carvalho e quem teve a primeira boa chance foi o América, que numa jogada criada pelo meia Leduar aos 5 minutos, finalizou com o atacante Jairo que chutou para fora. Aos 20 minutos foi a vez do time da Rede Ferroviária Federal levar perigo com Carlinhos , que cedeu a bola para Djalma chutar forte, mas o goleiro Zé Neto do América realizou grande defesa. Com meia hora de jogo foi a vez do lateral esquerdo Necão fazer bom passe para o atacante quase indígena Iaponã, que chutou para o goleiro Holanda do “Ferrim” espalmar para fora, cedendo escanteio. Ainda no primeiro tempo, o Ferroviário num contra-ataque, arrancou em direção à meta com o meia Edinho, que lançou o atacante Nilsinho para bater à direita de Zé Neto, assustando a torcida americana. Sem maiores movimentações terminou o tempo inicial da peleja.

Destaque do Diário de Pernambuco de 28/04/1968
No intervalo o treinador Dante Bianchi do América optou pela entrada de Toinho no lugar de Leduar no meio campo e pela entrada de Laranjeiras no lugar de Iaponã no ataque. Geraldo José, treinador do Ferroviário, também mexeu em sua equipe e solicitou as estradas do meia  Roberto e do atacante Arlindo nos lugares de Edinho e Djalma, numa tentativa de dar mais movimentação ao time em campo. O árbitro autorizou o início do segundo tempo de jogo e logo no início o Ferroviário chegou perto de marcar, numa jogada que começou com o meia Roberto, que cedeu a bola para Joãozinho chutar nas mãos do goleiro Zé Neto. O “Mequinha” reagiu aos 10 minutos quando Dandô se livrou da marcação de Preta e chutou para Jairo perder um gol feito, levantando a torcida nas arquibancadas. Alguns minutos depois veio o fato inusitado da partida. O Sr. Sebastião Rufino interrompeu o jogo e solicitou ao policiamento a retirada de um torcedor do América das arquibancadas, alegando estar sendo verbalmente agredido com palavras chulas e de baixo calão.


Diário de Pernambuco de 28 de abril de 1968
Cinco minutos depois de reiniciada a partida, o América atacou com Dílson, que cedeu a pelota para Edson, que foi derrubado na área pelo lateral Zé Valter e o árbitro apitou o pênalti para o América. Na cobrança, o zagueiro Brito disparou um míssil para balançar as redes tricolores. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 FERROVIÁRIO e festa esmeraldina nos Aflitos. Faltando poucos minutos para o encerramento, o time ferroviário atacou com Arlindo, mas este chutou por cima das traves do arqueiro Zé Neto. Final de jogo nos Aflitos e mais uma vitória do América no campeonato pernambucano. Na preliminar, o time juniores do América treinado por Batista e formado por Silva; Alexandre, Fernando, Teco e Jaminho; Ideltônio e Batista; César, Antônio Carlos, Seul e Roberto venceu o Ferroviário por 5x0 (dois gols de Antônio Carlos e Alexandre, Teco e Eduardo com um gol cada) e conquistou de forma invicta o título do turno, com direito a festa na sede na Estrada do Arraial em Casa Amarela. 283 pessoas estiveram presentes aos Aflitos para verem os profissionais do América venceram o Ferroviário por 1x0, o que gerou uma renda de 436 cruzeiros novos naquele sábado de futebol. As equipes foram as seguintes:

AMÉRICA
Zé Neto; 
Pereira, Brito, Genival e Necão; 
Leduar e Dílson;
Dandô, Edson, Jairo e Iaponã.


FERROVIÁRIO
Holanda; 
Zé Carlos, Clóvis, Preta e Zé Valter; 
Valdeque e Edinho; 
Joãozinho, Djalma, Carlinhos e Nilsinho.

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