quinta-feira, 28 de agosto de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 2x2 Sport em outubro de 1965

Jornal do Commercio de 17 de outubro de 1965
relatando o clássico daquela tarde de domingo.
Neste ano nascia o ator norte-americano Corey Parker (ator em filmes como “Sexta-Feira 13 Parte V: Um Novo Começo” de 1985 e “Loucos de Paixão” de 1990), a atriz dinamarquesa Connie Nielsen (atriz em filmes como “O Advogado do Diabo” de 1997 e “Gladiador” de 2000), o ex-jogador escocês Colin Calderwood (defendeu a Seleção Escocesa na Copa de 1998), o ex-goleiro costarriquenho Erick Lonnis (defendeu a Seleção da Costa Rica na Copa de 2002), o músico Krist Novoselic (fundador e ex-baixista da banda de rock Nirvana) e o músico japonês Toshimitsu Deyama (vocalista da banda de heavy metal japonês X Japan). Falecia o cineasta norte-americano Ray Enright (diretor de filmes como “Viúvas de Havana” de 1933 e “O Escorpião Vermelho” de 1945), o ator alemão Otto Wernicke (ator nos filmes “O Testamento do Dr. Mabuse” de 1933 e “Titanic” de 1943) e o fisiologista norte-americano Joseph Erlanger (vencedor do prêmio Nobel de medicina em 1944). Os sucessos musicais eram “A Garota do Baile” com Roberto Carlos, “Sinfonia da Mata” com Orlando Dias, “O Neguinho e a Senhorita” com Noite Ilustrada e “Não Me Esquecerás” com Carlos Alberto.

Ilustração de América x Sport no Estádio da Ilha do Retiro pelo campeonato
pernambucano de 1965. 
O dia 17 de outubro de 1965 marcou o Recife pelo acontecimento de mais um clássico dos campeões envolvendo América e Sport no Estádio da Ilha do Retiro. Naquele domingo, as equipes entrariam em campo pela sexta rodada do segundo turno do campeonato pernambucano de futebol, rodada esta que foi aberta com a vitória do Central sobre o Íbis por 4x2 na quarta-feira e se encerraria com a partida ente Santa Cruz e Íbis na terça-feira seguinte. O América, que vinha de um empate sem gols contra o Santa Cruz, era o último colocado do turno com apenas um ponto ganho, enquanto que, o Sport, que vinha de derrota para o líder Náutico por 5x3, era o segundo colocado com oito pontos ganhos. Desta forma, o Sport vinha com a intenção de encostar nos alvirrubros de Rosa e Silva e os esmeraldinos, de conquistar a primeira vitória. Pelo lado do clube da Praça da Bandeira, a previsão era de que o zagueiro Dodó, não poderia atuar, em virtude de uma contusão sofrida na partida contra o Náutico e com isso, era quase certa a escalação de Mané para o seu lugar, se constituindo na única dúvida do treinador argentino Dante Bianchi do Sport para o clássico. No lado do clube do bairro de Casa Amarela, a equipe do técnico Alexandre Borges não teria problemas para montar a escalação, mantendo com isso a mesma equipe que empatou com o Santa Cruz na semana passada. Quem chegasse mais cedo ao estádio, poderia acompanhar a partida Sport x América pela categoria de aspirantes, que aconteceria sob a arbitragem do Sr. Hélio ferreira.

Jornal do Commercio de 19 de outubro de 1965 destaca
que o juiz impediu a vitória do América.
A preliminar terminou com vitória rubro-negra por quatro gols a um e com nenhum incidente fora da normalidade. As 15:00h a bola rolou sob a arbitragem de Alfredo Bernardes Torres, auxiliado por José Manuel Vieira e José Amaro Dutra nas bandeirinhas. No começo da peleja o América se mostrou bem melhor em campo do que o Sport, que parecia sentir a ausência do zagueiro Dodó, uma vez que, seu substituto não tinha tanta velocidade para acompanhar as investidas dos atacantes americanos. Aos 10 minutos de jogo, o América atacou com a velocidade do meio-campista Agra, que tocou a bola para o atacante Ribeirinho e em condições normais chutou forte no canto do goleiro Pedrinho para abrir o marcador na Ilha do Retiro. É GOL DO AMÉRICA! SPORT 0X1 AMÉRICA e quem festejava era a torcida do alviverde da Estrada do Arraial. O Sport Club do Recife não conseguia de modo algum fazer a ligação entre o meio campo e o ataque e naquele momento vinha fazendo uma partida pior do que em relação a partida contra o Náutico, motivo de preocupação dos rubro negros. Antes que o treinador Dante Bianchi do Sport pudesse providenciar mudanças na postura de sua equipe no gramado, o América atacou aos 15 minutos com a categoria do meia Agra, que fez um ótimo lançamento para o atacante Santos e este não titubeou ao marcar o segundo gol dos esmeraldinos. É GOL DO AMÉRICA! SPORT 0X2 AMÉRICA e a torcida americana começava a se mostrar confiante na primeira vitória do returno.

Tomaz Edson: Foi uma das maiores palhaçadas já apresentadas no
futebol pernambucano nos últimos tempos.
Com o placar desfavorável, o Sport melhorou em campo e começou a criar chances claras, uma delas, aos 25 minutos quando Gojoba tocou a bola para o atacante Pelezinho, que chutou forte para uma espetacular defesa do goleiro Lula do América. Aos 35 minutos, com o América já postado na defesa e esperando jogadas de contra-ataque, a bola caiu nos pés do lateral Duda que correu pela esquerda e cruzou para Lima, que de cabeça forçou o goleiro Pedrinho do Sport a fazer ótima defesa. Antes do término do primeiro tempo, o Leão da Ilha ainda teve duas oportunidades, uma delas com Adílson que lançou Isaac e outra com Helmiton cruzando a bola para Fernando José, entretanto, ambas as finalizações terminaram em tiro de meta a ser cobrado por Lula.

Zagueiros Nilton e Carlos do América chegam para ajudar o goleiro Lula
num chute de Neco do Sport. O rubro-negro Pelezinho também acompanha
o desfecho da jogada no centro da imagem.
Com a intenção de impedir o tricampeonato do Náutico, o Sport se lançou para frente em busca de virar o resultado e logo aos 5 minutos do segundo tempo, o meio campista Chico deixou o atacante Neco na cara o gol, mas o goleiro Lula se agigantou e impediu o gol rubro-negro. A partir de então começou a aparecer de forma negativa a figura do árbitro Alfredo Torres, que tomado de um excesso de autoridade desmedido acabou por prejudicar os periquitos. Aos dez minutos o Sport atacou com Baixa cedendo a bola para Neco, que foi derrubado por Carlos do América, numa jogada de falta normal. Para a revolta dos torcedores do América, o Sr. Alfredo Torres sacou o cartão vermelho do bolso e expulsou de campo o zagueiro americano, o que gerou muitos protestos. Com a expulsão de Carlos, o atacante Lia foi recuado para a defesa. Com um jogador a menos, o América começou a ser pressionado pelo adversário e numa jogada do lateral Adílson a bola sobrou para o atacante Fernando José que assinalou o primeiro gol leonino. SPORT 1X2 AMÉRICA e o leão voltava à partida.

As condições mentais do árbitro foram colocadas em dúvida.
Completamente fechado na defesa, o América foi bastante pressionado e numa jogada rubro-negra do meia Gojoba, a bola sobrou para Pelezinho, que foi derrubado na entrada da grande área pelo zagueiro Nilton do América. Para a surpresa e indignação dos alviverdes, o árbitro Alfredo Torres mostrou o cartão vermelho para Nilton, expulsando-o de campo em uma atitude totalmente desproporcional à falta cometida. O atacante Santos foi recuado para a defesa na posição de Nilton. Depois de alguns minutos de paralisação, a partida recomeçou com o América tendo em campo nove jogadores e todos dispostos a defender até o último minuto para impedir uma derrota. Fernando José, Neco e Pelezinho duas vezes ainda perderam grandes oportunidades de empatar, mas, os “zagueiros-atacantes” do América afastavam o perigo como podiam.

Tomaz Edson, presidente do América, desmente boato gerado após
o jogo.
Aos 30 minutos foi a vez do goleiro Lula do América ser expulso pelo árbitro Alfredo Torres, alegando retardo de jogo ao cobrar tiro de meta. O meio-campista Tadeu foi designado para ser o novo goleiro do América nos 15 minutos restantes da peleja e os alviverdes recomeçaram o jogo com oito jogadores em campo! Num clima de grande nervosismo, o Sport chegou ao empate num chute de fora da área dado pelo atacante Fernando José Igualando o marcador. SPORT 2X2 AMÉRICA e partida estava empatada na Ilha do Retiro. No último minuto o meia Gojoba do Sport ainda teve uma grande chance, todavia, Tadeu, o goleiro improvisado, saltou para desviar a bola a escanteio. Fim de um jogo em que o juiz não deixou o América vencer. Os atletas daquele clássico dos campeões foram os seguintes:

AMÉRICA:
Lula;
Breno, Nilton, Carlos e Duda;
Agra e Tadeu;
Ribeirinho, Dema, Santos e Lima.

SPORT:
Pedrinho;
Adílson, Baixa, Mané e Helmiton;
Gojoba e Chico;
Isaac, Pelezinho, Neco e Fernando José.


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