terça-feira, 5 de agosto de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 5x0 Peres em julho de 1916


O ano de 1916 foi o ano de nascimento de pessoas como o ator norte-americano Sterling Hayden (ator em filmes como “O Segredo das Joias” de 1950 e “O Grande Golpe” de 1956), a atriz norte-americana Evelyn Keyes (atriz em filmes como “E o Vento Levou” de 1939 e “Sonhos Dourados” de 1946), o físico russo Vitaly Ginzburg (vencedor do prêmio Nobel de física em 2003), O jogador Tim (campeão carioca de 1936 com o Fluminense/RJ (como jogador) e campeão da Internacional Soccer League de 1960 com o Bangu/RJ (como treinador)), João Havelange (presidente da FIFA de 1974 a 1998), o jogador de basquete Ruy de Freitas (campeão sul-americano com a Seleção Brasileira em 1945) e o treinador mexicano Ignacio Trelles (treinador da Seleção Mexicana de Futebol na Copa de 1966). Falecia o químico escocês William Ramsay (vencedor do prêmio Nobel de química em 1904), o poeta português Mario de Sá-Carneiro (autor de livros como “Amizade” de 1912 e “A Confissão de Lúcio” de 1914), o jornalista pernambucano Artur Orlando da Silva (autor do livro “Novos Ensaios” de 1905) e o ex-governador Herculano Bandeira (governador de Pernambuco de 1908 a 1911).


Ilustração de América x Peres no Estádio do British Club em jogo válido
pelo campeonato pernambucano de 1916
Num belo domingo, 23 de julho de 1916, houve a continuação da quarta rodada do grupo A do campeonato pernambucano de futebol. O Estádio do British Club no bairro dos Aflitos (o clube ainda existe) foi palco naquele dia para a partida entre o América, terceiro colocado com dois pontos, e o Centro Sportivo do Peres, que ainda não havia pontuado no certame. Enquanto Sport, Náutico, Paulista e Casa Forte, estreantes no campeonato, duelavam entre si pelo grupo B, o grupo A, o grupo dos clubes que jogaram o campeonato de 1915 com exceção do Coligação Sportiva Recifense, se desenrolava com o Santa Cruz na liderança com seis pontos ganhos, seguido do Flamengo do Recife (atual campeão) com quatro pontos e pelo América. Depois de conseguir a primeira vitória em campeonatos pernambucanos contra o Torre (excetuando-se vitória por WO), o América procurava se recuperar da derrota por 1x0 contra o Flamengo no começo do mês e continuar pensando em conseguir a vaga para a final contra o campeão do grupo B. Por sua vez, os azulinos do Peres, fundados em 1909, já haviam sofrido duas goleadas e tinham o jogo contra o América, como o decisivo para continuar ou não sonhando em título.

A tarde esportiva começou as 14:30h, quando entraram em campo os segundos quadros de América e Peres para jogarem entre si sob a arbitragem do Sr. José de Arruda, atleta do Clube Náutico Capibaribe. Os alviverdes de Bidô; Cardoso e Ayres; Pimentel, Faustino e Monteiro; Sidney, Lobo, Carlito, Campos e Fonseca, venceu por 2x1 o Centro Sportivo do Peres, que atuou com Nelson; Suzano e Duarte; Eliezer, Ricardo e Neves; Rocha, Santiago, Silveira, Santos e Beroaldo. O Jovem zagueiro Ayres, viria anos mais tarde a se tornar um dos maiores defensores da história americana, sendo tricampeão pernambucano com os títulos de 1918, 1919 e 1921.

Jornal Pequeno do Recife de 24 de julho de 1916
Logo após a partida entre os segundos quadros, o Sr. Forster com a bola embaixo do braço chamou as equipes principais para que a tão esperada partida fosse iniciada. Com apenas 1 minuto de bola rolando, surgiu um grande passe do atacante Karl para Monteath que em melhores condições assinalou o primeiro gol. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 PERES. A pequena, mas, entusiasmada presença de público aplaudiu a finalização do atacante americano às redes adversárias. O Centro Sportivo do Peres atacou com bastante avidez em busca do primeiro gol de empate e numa destas tentativas, quase levou o marcador à igualdade, quando Horácio deixou Edésio de frente com o goleiro Tasso do América, mas este defendeu com categoria. Aos 10 minutos, o América recuperou a bola no meio campo com Cleophas, que tocou a pelota para Rômulo, entregando-a para Monteath, que livre da marcação do oponente tocou no canto baixo indefensável do goleiro Mário. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 PERES. Bem que os azulinos tentaram uma reação depois do 2° gol sofrido, mas a grande jogada do meia Novais parou quando o zagueiro americano Cunha, mandou a bola novamente para o campo de ataque. O Peres tinha suas virtudes, entretanto, quando se está num dia inspirado, até o mais forte adversário pode cair. Aos 25 minutos Araújo tocou a bola para Monteath, que ao driblar o zagueiro Bonini, disparou um chute certeiro para aumentar a vantagem esmeraldina, anotando seu 3° gol. Festa alviverde no British Club, claro, guardando as devidas proporções, afinal, estávamos em 1916 dentro de um clube chique do Recife, onde a formalidade era fundamental.

Destaque do Jornal Pequeno do Recife do dia 24 de julho de
1916 enaltecendo a vitória do América
Pouco antes do final do primeiro tempo, ainda houve tempo para que o meia Rômulo acertasse um certeiro passe para o atacante Monteath, que de cara com o goleiro Mário, chutou para balançar mais uma vez as redes do Peres. O quarto gol de Monteath, ainda no primeiro tempo. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X0 PERES. Logo depois o Sr. Forster apitou o final do primeiro “meio-tempo” como se chamava na época. Na segunda etapa, o América caiu de produção e resolveu focar suas atenções no setor defensivo, com a intenção de não tomar gols. Aos 25 minutos o Peres atacou com Sérgio que rapidamente entregou a bola para o atacante Amadeu, porém, o clube azul e branco esbarrava nas suas próprias fragilidades. Antes do encerrar do jogo, o atacante Perey disparou com a bola dominada deste o meio campo e em melhor posição, passou a redonda para Rômulo, que anotou o quinto gol do América naquela tarde de domingo em Recife. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 5X0 PERES. Alguns minutos depois, o árbitro da partida, elogiado por sua performance em campo, encerrou aquele prélio esportivo com a alta contagem de cinco tentos a zero em favor do América. As equipes entraram em campo com as seguintes escalações:

AMÉRICA:
Tasso;
Manta e Cunha;
Licor, Rômulo e Cleophas;
Pedro, Perey, Monteath, Karl e Araújo.

C. S. DO PERES:
Mario;
Guilherme e Bonini;
Sergio, Novais e Baltazar;
Couto, Horácio, Renato, Amadeu e Edésio.

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