quinta-feira, 21 de agosto de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS ESPECIAL: América 5x0 Torre em novembro de 1919 (América campeão!)

Nascia a atriz paraense Mara Rúbia (atriz nos filmes “O Donzelo” de 1971 e “Dona Flor e Seus Dois Maridos” de 1976), a atriz Geny Prado (atriz em filmes como “Zé do Periquito” de 1960 e “Casinha Pequenina” de 1963), o ator norte-americano Robert Stack (ator em filmes como “Paixão de Toureiro” de 1951 e “Casa de Bambu” de 1955), o ex-goleiro Oberdan Cattani (campeão da Copa Rio Internacional de 1951 com o Palmeiras), o cantor Nélson Gonçalves (conhecido pela música “A Volta do Boêmio”), O cantor Jackson do Pandeiro (conhecido pela música “Como Tem Zé na Paraíba”), o ex-político João Goulart (presidente entre 1961 e 1962), os ex-jogadores espanhóis Salas (vice-campeão da Copa do Rei da Espanha com o Celta de Vigo em 1948) e Fernando Barnet (campeão da Copa do Rei em 1940 com o Espanyol de Barcelona) e o ex-jogador português Guilherme Espírito Santo (campeão português com o Benfica em 1950). Vinham a óbito o ex-presidente Rodrigues Alves (governou entre 1902 e 1906), o chileno Ramón Barros Luco (presidente do Chile entre 1910 e 1915), o matemático alemão Adolf Hurwitz (conhecido por trabalhos envolvendo polinômios), o também matemático alemão Paul Stackel (conhecido por trabalhos em análise complexa) e o poeta português João Penha (autor de livros como “Ecos do Passado” de 1914 e “Novas Rimas” de 1905). Na música os sucessos eram “Já Te Digo” com Baiano, “Deixe Deste Costume” com Eduardo das Neves, “O Kaiser em Fuga” com Caninha, “Sofres Porque Queres” com Pixinguinha, “Madrugando” com Américo Jacomino, o Canhoto e “A Rolinha do Sertão” com Baiano.

Ilustração de América x Torre no Estádio da Jaqueira pelo campeonato
pernambucano de 1919: o jogo do bicampeonato.
O América se tornou campeão pernambucano de futebol do ano de 1919 (o segundo troféu da sua história) após uma grande vitória contra o Torre. O campeonato do referido ano foi disputado por oito equipes no sistema de pontos corridos e turno único, sendo que a equipe dotada de mais pontos ao final das sete rodadas seria declarada a campeã. A expectativa em torno da última rodada do campeonato era grande, uma vez que, quatro times poderiam ficar com a taça de campeão, o que muito empolgou o público a comparecer a estes jogos decisivos. Tanto os alviverdes da Estrada do Arraial (que vinham de vitória por 6x1 contra o Varzeano) quanto o Torre (que vinha de empate em 3x3 contra o Sport) tinham chances de conquistar o título, sem falar que, Sport e Náutico também possuíam chances reais. Os americanos eram os únicos que dependiam só de si para levantar a taça, pois, lideravam o certame com 10 pontos ganhos, seguidos pelo Sport com 9 pontos, Náutico com 8 pontos e Torre com 8 pontos. Santa Cruz, Flamengo do Recife, Centro Sportivo do Peres e Varzeano já não mais tinham como ser campeões. A derradeira rodada foi aberta no dia quinze de novembro com a vitória do Náutico por 2x1 sobre o Varzeano, que fez com que o clube alvirrubro ficasse empatado em pontos com o América na liderança. No fim de semana seguinte, no dia 23 de novembro de 1919 para ser mais exato, o “Mequinha” entraria em campo sob pressão no majestoso Estádio da Jaqueira para botas as duas mãos no troféu em caso de vitória. O Sport Club do Recife aguardava ansioso pelo resultado, uma vez que, a derrota dos esmeraldinos associada com uma vitória rubro-negra contra o Flamengo no domingo seguinte daria o título ao clube da Praça da Bandeira.

Página esportiva do Jornal Pequeno de 25/11/1919
descrevendo a vitória do América sobre o Torre
Após o empate de 1x1 entre os segundos quadros de América e Torre, às 4h da tarde em ponto o árbitro Sr. João Lacerda, deu início à partida América x Torre que poderia dar o título de campeão ao América. A torcida do Sport também compareceu à Jaqueira, mas para torcer contra. O primeiro bom lance do jogo surgiu quando o meia Paulino do Torre cedeu a bola para o atacante Lins, que chutou forte e no canto, forçando o goleiro Salgado do América a se esticar para defender. Com 5 minutos de bola rolando, o América foi para frente numa grande jogada iniciada pelo atacante Zé Tasso, que passou a pelota para Peres I que abriu o marcador no Estádio da Jaqueira. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 TORRE e a torcida americana começava a comemorar. O Torre bem que tentou o empate aos 15 minutos, quando Roxura lançou Hermógenes, que de pé direito chutou para fora para o alívio da torcida americana. O público que se espremia nas tímidas arquibancadas de madeira do Parque da Jaqueira ajudava com gritos de incentivo e aos 22 minutos, apareceu a figura do atacante argentino Salerno do América, que numa arrancada em velocidade disparou rumo à meta, driblando o zagueiro Romeu do Torre antes de dar belo passe para Peres I, que chutou forte nas redes do goleiro Ramos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 TORRE e o caminho para o bicampeonato estava sendo calçado.


Destaque do Jornal Pequeno de 25 de novembro de 1919 sobre o título
do América do Recife, bicampeão pernambucano de futebol
Os rubro-negros e alvirrubros que também se faziam presentes se conformaram em apenas assistir um espetáculo de futebol, haja vista que, torcer contra o América seria algo ingrato. Logo após a saída de bola os alviverdes atacaram novamente, desta vez com Peres II que avançou até onde pôde e tocou para Peres I, que fuzilou o arco defendido por Ramos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X0 TORRE e a taça de bicampeão virou uma questão de tempo. Os torrenses abateram-se em campo e aos 26 minutos, o atacante Salerno com a garra portenha de quem nasceu nas bandas de lá do Mar da Prata, se livrou da marcação do zagueiro Arthur do Torre e chutou para o célebre Zé Tasso soltar o míssil para marcar mais um gol naquela tarde de domingo na Jaqueira. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X0 TORRE e os aplausos vinham até dos adversários e sem mais lances de perigo de gol encerrou-se o primeiro tempo.

Poster do América, o campeão pernambucano de 1919
Veio então o segundo tempo e com ele, a vontade do Torre Sport Club de diminuir o placar com um gol de honra. O meio-campista Austregésilo se livrou da marcação do zagueiro Ayres do América e tocou para Hermógenes, que chutou forte, mas o goleiro Salgado de pontas de dedos colocou para fora. Aos 15 minutos o belo futebol do gringo Salerno voltou a aparecer e como que se jogasse ao som de um tango de Gardel, cedeu o balão esférico para Peres I e o artilheiro máximo da peleja, marcou seu quarto gol e o quinto dos alviverdes. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 5X0 TORRE e a partir de então foi só esperar o apito final para que o grito de “É campeão!” voltasse a ecoar no Recife, como no ano anterior. As equipes do embate foram as seguintes:

AMÉRICA
Salgado; 
Alexi e Ayres; 
Soares, Bermudes e Rômulo; 
Peres II, Salerno, Zé Tasso, Peres I e Lapa.

TORRE
Ramos; 
Arthur e Romeu; 
Austregésilo, Roxura e Paulino; 
Arlindo, Oswaldo, Alemão, Hermógenes e Lins.


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