sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 6x3 Santa Cruz em junho de 1956

Jornal Folha do Povo de 02 de junho de 1956
Nasciam nesse ano o químico norte-americano Roderick MacKinnon (vencedor do prêmio Nobel de química de 2003), a atriz norte-americana Geena Davis (atriz em filmes como “Apenas Bons Amigos” de 1994 e “A Ilha da Garganta Cortada” de 1995), o ator André de Biase (ator em filmes como “Menino do Rio” de 1981 e “Gatão de Meia Idade” de 2006), o ex-jogador português Fernando Gomes (campeão mundial de clubes com o Porto/POR em 1987), o ex-jogador inglês Ray Wilkins (campeão da Supercopa da Inglaterra de 1983 com o Manchester United e campeão escocês de 1989 com o Glasgow Rangers), o ex-goleiro camaronês Thomas Nkono (campeão da Copa das Nações Africanas de 1984 com a seleção de Camarões), o músico norte-americano Peter Buck (guitarrista da banda de rock R.E.M.) e o músico inglês Glen Matlock (baixista da banda de rock Sex Pistols). Faleciam a química francesa Irène Joliot-Curie (vencedora do prêmio Nobel de química em 1935), o escritor espanhol Pio Baroja (autor de livros como “Vidas Sombrias” de 1900 e “A Caverna do Humorismo” de 1919), o músico Ismael Neto (cantor do grupo Os Cariocas) e Konstatin Pats (primeiro presidente da Estônia). Na música os sucessos eram “Comida de Pensão” com Ivon Curi, “Meus Tempos de Criança” com Ataulfo Alves, “Mentindo” com Ângela Maria e “O Lamento da Lavadeira” com Marlene.

Goleiro Barbosa do Santa Cruz ainda não tinha levado gols. 
O campeonato pernambucano de 1956 começou em maio e após duas rodadas, Sport, América e Santa Cruz figuravam na liderança. Os alviverdes devido às vitórias em cima do Ferroviário do Recife e do Auto Esporte e o Santa Cruz devido aos sucessos ante Estudantes do Recife e Ferroviário. O dia 03 de junho de 1956, um domingo, foi a data do Clássico da Amizade entre americanos e tricolores valendo não apenas a liderança isolada do campeonato, mas, também a impenetrabilidade das traves defendidas pelo goleiro Barbosa do Santa Cruz, que em dois jogos ainda não havia sofrido gol adversário, fato este, que colocava o clube do Arruda como favorito para a partida, pelo menos, para a imprensa escrita. Barbosa, o goleiro da Seleção Brasileira na Copa de 1950 e uma das figuras mais lembradas na derrota para os uruguaios no Maracanã, desejava um recomeço em sua vida esportiva e há pouco tempo havia decidido jogar em Pernambuco, pois, estava sendo desprezado pelas equipes do Rio de Janeiro.


Goleiro Leça do América. O paredão.
O Estádio da Ilha do Retiro já apresentava um bom público logo nas primeiras horas da tarde, quando se enfrentavam as mesmas equipes, mas, pela categoria de aspirantes, duelo este, que terminou com vitória dos corais pelo placar de quatro tentos a zero. A bola começou a rolar para valer às três horas da tarde, momento em que os quadros se postaram em campo para o início da pugna, sob a arbitragem do Sr. Batista Laurito. O América começou melhor na partida, explorando na maioria das vezes o lado do zagueiro tricolor Guta que não estava em uma noite inspirada e o primeiro ataque do América surgiu aos 5 minutos quando o meio-campista Rosael tocou a bola o atacante Macaquinho, que chutou com perigo, assustando o goleiro Barbosa. Os tricolores reagiram aos 10 minutos, no momento em que o meia Edinho cruzou a bola vinda do lado esquerdo na cabeça de Jorge de Castro, que tocou sobro o gol de Leça.

Zezinho, atacante do América
O pesadelo do ex-goleiro da Seleção Brasileira começaria aos 15 minutos quando Gilberto avançou em velocidade e tocou para Zezinho balançar as redes da Ilha do Retiro e fazer o primeiro gol do clássico. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 SANTA CRUZ. Aproveitando uma falha do meia Zequinha, o clube de Casa Amarela voltou a atacar e desta vez com Dimas aos 20 minutos, que deu grande passe de bola para Claudionor chutar e forçar Barbosa a fazer uma grande defesa. O clube tricolor esboçou nova reação quando numa arrancada de Aldemar, a bola sobrou para Rubinho, que chutou à esquerda de Leça aos 25 minutos de partida. O esforço tricolor deu resultado aos 30 minutos numa trama bem armada pela dupla Edinho e Wassil, que entregou a pelota para o atacante Otávio assinalar o gol de empate. Tudo igual. AMÉRICA 1X1 SANTA CRUZ. A virada do clube das três cores parecia clara quando aos 35 minutos, o atacante Isaldo, da entrada da grande área, chutou firme, todavia, por cima da meta defendida pelo goleiro esmeraldino. Nova investida americana com o zagueiro Cido fazendo ligação direta com o atacante Zezinho e aos 40 minutos, após livrar-se da marcação de Palito, o experiente goleador alviverde anotou o segundo gol americano numa falha do goleiro Barbosa. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X1 SANTA CRUZ. A chance do terceiro tento surgiu ainda no primeiro tempo, quando Gilberto chutou a bola por cima, cara a cara com Barbosa, que terminou a etapa inicial de jogo parecendo pressentir o que viria.

Ilustração de América x Santa Cruz no Estádio da Ilha do Retiro em
03/06/1956 pelo campeonato pernambucano
Sem alterações as duas equipes voltaram para o segundo tempo e logo aos 5 minutos, o América atacou com Claudinho, que passou por Palito e tocou para o jovem Dimas e ele não desperdiçou. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X1 SANTA CRUZ. A torcida tricolor começou realmente a perder as esperanças de um bom resultado quando com 15 minutos jogados, Macaquinho cobrou falta e a bola sobrou novamente para Dimas, que com faro de gol apurado, faturou mais um gol naquela tarde de domingo. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X1 SANTA CRUZ na Ilha do Retiro. Velhos fantasmas começavam a atordoar o ex-goleiro da seleção e as lembranças do “Maracanazo”. O time tricolor se lançou para cima e aos 25 minutos, o meia Zequinha chutou ao gol, mas, o zagueiro Giroldo afastou e no rebote, o atacante Rubinho disparou um míssil para descontar o placar em favor dos corais. AMÉRICA 4X2 SANTA CRUZ e a torcida tricolor se mostrava mais preocupada com a defesa do que com o ataque.


Jornal Folha do Povo de 04 de junho de 1956
Na ideia de tentar o terceiro gol, o Santa Cruz deixou espaços na sua defesa, que já não estava num bom dia e num desses espaçou foi que o atacante americano Dimas “serviu de bandeja” a bola nos pés do atacante Celly, que chutou fraco, entretanto, o goleiro Barbosa a deixou escorregar e teve que se contentar em ver a esférica morrer no fundo da sua cidadela aos 35 minutos. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 5X2 SANTA CRUZ e o goleiro Barbosa reclamou com a arbitragem sobre um possível impedimento. Não sabia o azarado goleiro que ainda viria mais. Com o relógio do árbitro Batista Laurito apontando exatamente 40 minutos de jogo, os esmeraldinos tiveram nova chance com a jogada criada pelo atacante Gilberto, que correu pela direita e já quase na linha de fundo, efetuou cruzamento rasteiro para o atacante Macaquinho, que cuidou de aumentar a vantagem alviverde naquela incrível tarde, inesquecível na mente dos que presenciaram. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 6X2 SANTA CRUZ.





Destaque do Jornal do Povo de 04/06/1956 sobre a vitória do América
Aos 44 minutos o meio campo do América se descuidou e viu o atacante tricolor Isaldo se desvencilhar primeiro de Cido e depois de Giroldo para de frente com o goleiro Leça, diminuir a goleada. AMÉRICA 6X3 SANTA CRUZ e um minuto mais tarde, o árbitro apitou o fim do clássico, para o regozijo dos torcedores americanos, entusiasmados com aquela goleada. Falou-se naquela semana que o injustiçado goleiro Barbosa permanecera invicto, apenas, até defrontar o excrete verde e branco.

AMÉRICA
Leça; 
Giroldo e Cido; 
Claudionor, Rosael e Claudinho; 
Zezinho, Dimas, Macaquinho, Celly e Gilberto.

SANTA CRUZ
Barbosa; 
Palito e Guta; 
Zequinha, Aldemar e Edinho; 
Jorge de Castro, Wassil, Isaldo, Rubinho e Otávio.


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