domingo, 28 de setembro de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS ESPECIAL: América 3x1 Sport em jan-1919. AMÉRICA, CAMPEÃO 1918

Jornal Pequeno de 11 de janeiro de 1919 sobre o clássico América x Sport.
Nasciam a atriz norte-americana Teresa Wright (atriz nos filmes “A Sombra De Uma Dúvida” de 1943 e “Na Solidão Do Inferno” de 1950), a atriz Sônia Oiticica (atriz nos filmes “Dôra Doralina” de 1982 e “O Caso Cláudia” de 1979), o químico britânico Derek Barton (vencedor do prêmio Nobel de Química em 1969), o poeta José Godoy Garcia (autor de livros como “Araguaia Mansidão” de 1972 e “Os Morcegos” de 1987) e o ex-jogador argentino Angel Labruna (campeão argentino de 1957 com o River Plate e campeão sul-americano com a Seleção Argentina em 1955). Faleciam o físico alemão Karl Braun (vencedor do prêmio Nobel de Física em 1909), o poeta Olavo Bilac (autor de livros como “Tarde” de 1919 e “Ironia e Piedade” de 1916), o poeta Emílio de Meneses (autor de livros como “Marcha Fúnebre” de 1892 e “Poesias da Morte” de 1901) e o ator norte-americano Lawrence Peyton (ator nos filmes “The Sea Urchin”de 1913 e “O Ás de Ouro”de 1917). Alguns sucessos musicais foram “Ontem, ao Luar” com Vicente Celestino e “O Boi no Telhado” com José Monteiro.


Destaque do Jornal Pequeno de 11 de janeiro de 1919.
O América sobrou em campo na sua trajetória rumo ao primeiro título estadual. O clube seguia invicto até a oitava rodada e líder com folga, tanto que a derrota para o Santa Cruz não foi suficiente para acender o sinal amarelo em sua sede na Rua da Conceição. Três dias antes do natal, o alviverdes venceram o Torre por incríveis 10x1 e chegaram aos 15 pontos ganhos, quatro a mais que o vice-líder Santa Cruz com 11 pontos e única equipe que poderia lhe subtrair a conquista, lembrando que a vitória valia dois pontos. Um dos dois jogos que o tricolor do Arruda teria pela frente seria o clássico contra o Sport no dia 29 de dezembro no campo da Avenida Malaquias nas Graças e caso houvesse uma vitória rubro-negra, ninguém mais poderia alcançar os americanos na ponta, nem mesmo, o Sport, que chegaria a apenas nove pontos. Dois dias antes do Reveillon, a torcida americana compareceu à Avenida Malaquias para ver a vitória rubro-negra em cima dos tricolores por 1x0, o que lhe garantiu o título de 1918, impedindo o tricampeonato do Sport. O “gran finale” só viria a ocorrer no dia 12 de janeiro, já em 1919, no qual, o América faria contra o Sport seu último jogo pelo campeonato pernambucano de 1918.

A tarde esportiva no campo da Avenida Malaquias começou às 14h30, quando iniciou o confronto entre os segundos quadros de América e Sport, cujo resultado final foi de 2x0 para os rubro-negros, com o jogador Pitota do Santa Cruz na arbitragem. Às 16h07 a bola rolou para o esperado embate entre as equipes, sob a arbitragem do Sr. J. Forster e com a presença de um público imenso de três mil pessoas ocupando os assentos das arquibancadas de madeira.

Ilustração de América x Sport no Estádio da Avenida Malaquias em 12 de
janeiro de 1919 pelo campeonato pernambucano de futebol.
Aos 2 minutos o Sport atacou com Benedito, que chutou forte para o goleiro Jorge do América colocar a escanteio. O América reagiu aos 12 minutos numa jogada criada por Peres I, que lançou o meia Siza, mas, o rubro-negro Mazullo II afastou o perigo de gol. Rodrigo do Sport fez o cruzamento para os pés de Lourenço e quase de frente com o goleiro Jorge, Siza colocou a bola para longe. O primeiro grito de gol apareceu aos 15 minutos quando Lapinha correu e entregou a bola para o célebre Zé Tasso assinalar. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 SPORT na Avenida Malaquias. Os rubro-negros impuseram depois disso, uma sequência de quatro ataques perigosos. O primeiro deles foi no chute de Manta, cuja bola teria atravessado a linha de gol, de acordo com os rubro-negros, porém, o Sr. Forster nada marcou. O segundo aconteceu na jogada de Mazullo I, que passou pelo zagueiro Ayres e de dentro da pequena área, mandou o balão por cima das traves de Jorge. O terceiro e o quarto saíram dos pés de Rodrigo, que nas duas vezes que esteve cara a cara com Jorge, chutou para fácil defesa do arqueiro esmeraldino. Num contrataque aos 26 minutos o América avançou com Siza, que entregou na frente para Jujú soltar o torpedo e forçar Márcio Franco e espalmar para fora uma bola dificílima. Dois minutos depois, o Sport subiu ao ataque com Benedito, que entregou a pelota para Rodrigo driblar os atletas Ayres e Rômulo e sozinho bater à esquerda da meta.


Jornal Pequeno de 13 de janeiro de 1919 comentando sobre a vitória
e o título do América de campeão pernambucano de 1918
O Sport finalizou muito mais do que os esmeraldinos no primeiro tempo, entretanto, apareceu o velho ditado do futebol, que diz que quem não faz, leva! E desta forma, o atacante Zé Tasso correu em velocidade desde o meio campo aos 30 minutos e na hora certa entregou a bola para o genial Jujú, que tocou no canto indefensável de Márcio Franco. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 SPORT. Na última boa jogada do primeiro tempo, o rubro-negro Mazullo I recebeu a bola de Baptista e de peito descontou para o Sport. AMÉRICA 2X1 SPORT e apesar dos gritos que vinham da arquibancada dizerem que o gol foi feito com a mão, o Sr. Forster legitimou o tento, alegando que não houve irregularidade no lance. A segunda etapa da partida teve seu início às 16h55 e o primeiro a atacar foi o Sport por meio do meio-campista Benedito, que driblou o defensor alviverde Alexi aos 6 minutos e tocou para Lourenço chutar para uma ótima defesa de Jorge. Aos 10 minutos foi a vez do América subir ao ataque e com a qualidade de um campeão, Bermudes cruzou a bola para Peres I, que a dominou e a designou para o fundo das redes de Márcio Franco. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X1 SPORT. Os americanos tiveram a chance de ampliar a vantagem aos 15 minutos quando Zé Tasso driblou o defensor Chalmers do Sport e tocou para Lapinha, que perdeu o controle da bola e Márcio Franco saiu aos seus pés para fazer a defesa. Mazullo I teve a chance de descontar o placar em favor do Sport aos 23 minutos, quando recebeu a bola de Rodrigo e mandou um míssil de fora da área, passando por cima da meta defendida por Jorge. 

Nota de destaque do Jornal Pequeno de 13 de janeiro de 1919.
Os pupilos de Guilherme de Aquino ainda perderam outra chance, desta vez aos 35 minutos, quando o atleta Salazar passou bem por Rômulo e chutou cruzado, todavia, o goleiro Jorge do América agarrou a pelota com firmeza. No último minuto, o clube da Rua da Conceição perdeu uma chance clara de gol quando Jujú entregou a bola para Soares e ele cara a cara com Márcio Franco bateu por cima do arco rubro-negro. No final, a vitória veio apenas para coroar o clube da melhor campanha dentre os participantes, com o título de campeão pernambucano de 1918, o primeiro da sua história.

AMÉRICA
Jorge; 
Ayres e Alexi; 
Rômulo, Bermudes e Soares; 
Siza, Peres I, Zé Tasso, Jujú e Lapinha.

SPORT
Márcio Franco; 
Chalmers e Arlindo; 
Manta, Mazullo II e Benedito; 
Salazar, Baptista, Mazullo I, Lourenço e Rodrigo.


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