segunda-feira, 27 de outubro de 2014

MEMÓRIAS ESMERALDINAS: América 10 x 1 Náutico em abril de 1918

Jornal Pequeno do dia 27 de abril de 1918.
Nasciam o cineasta Ozualdo Candeias (diretor de filmes como “A Margem” de 1967 e “Caçada Sangrenta” de 1974), o ator norte-americano Robert Preston (ator em filmes como “Legião de Heróis” de 1940 e “A Conquista do Oeste” de 1963), a atriz Célia Biar (atriz nos filmes “Caiçara” de 1950 e “As Cariocas” de 1966), o físico norte-americano Frederick Reines (vencedor do prêmio Nobel de Física de 1995), o físico norte-americano Richard Feynman (vencedor do prêmio Nobel de Física em 1965) e o piloto automobilista italiano Alberto Ascari (campeão da Fórmula 1 em 1952 e 1953). Faleciam o político jaboatonense Francisco do Rego Barros Barreto (senador imperial entre 1871 e 1889) e o velocista escocês Henry Macintosh (medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1912 em Estocolmo na Suécia). Alguns sucessos musicais foram “Coração que Implora” com José Ribas, “Porque eu fui Poeta“ com Vicente Celestino e “Quem São Eles?” com Bahiano.

Nota do Jornal Pequeno do dia 27 de abril de 1918
sobre o jogo América x Náutico.
A quarta edição do campeonato pernambucano de futebol aconteceu sob a fórmula dos pontos corridos pela primeira vez, ou seja, o campeão seria a equipe que ao final das rodadas somasse mais pontos. No dia 28 de abril de 1918, o recifense aguardava ansioso pelo confronto entre o América e o Náutico a se realizar no Campo da Ponte D’Uchôa no bairro das Graças, colocando frente a frente, os alviverdes, que vinham de desempenhos razoáveis nos anos anteriores, contra os alvirrubros, que em 1916 e 1917 jogaram na divisão inferior, portanto, seria a estreia do Náutico na primeira divisão de Pernambuco. Com o campeonato unificado em função da desistência do Casa Forte e do Paulista, findaria o sistema de divisão em série A (com os tradicionais América, Santa Cruz, Flamengo, Torre e Peres) e série B (com os novatos Sport, Náutico, Casa Forte e Paulista), no qual os primeiros de cada série, disputavam uma final em busca do título de campeão pernambucano. O América não poderia contar naquela partida com o goleiro Hossel, que poucos dias antes teve que viajar para o Rio de Janeiro e por causa disto, Lopes seria o substituto e atuaria tanto no jogo preliminar entre os segundos quadros, como também no jogo principal, enquanto que, o Náutico tinha como novidade, a presença do zagueiro Barbosa Lima (ex-Torre) em seu elenco principal, homem que anos mais tarde seria um dos políticos mais influentes do estado e governador de Pernambuco eleito em 1948. O Sr. Gastão Bonfim foi o árbitro que apitou o embate entre os segundos quadros de América e Náutico, iniciado às duas da tarde e que terminou com vitória americana por 4x0 com gols de Ayres, Lapa duas vezes e Dubeaux. O América de Lopes; Ayres e Fred; Licor, Zé Tasso e Town; Lapa, Dubeaux, Jorge Tasso, Mather e Hogges venceu a preliminar contra o Náutico de Nélson; Garcia e Agnaldo; Carlos, Davino e Sylvio; Adour, Adamastor, Chico Lopes, Francês e Máximo.

Ilustração de América x Náutico no campo da ponte D'Uchôa pelo
Campeonato pernambucano de 1918.
Finalmente chegava a hora da partida principal. Às 4h a bola começou a rolar no gramado do Campo da ponte D’Uchôa sob a arbitragem do Sr. Alcindo Wanderley e com a presença de um grande público, sobretudo, mulheres, o clube alvirrubro deu a saída de bola com o atacante Ivan e logo no primeiro minuto, ele fez um grande passe de bola para Nadu, que perdeu a bola para o zagueiro Alexi do América. Aos 3 minutos, os americanos foram ao ataque com Zé Tasso, porém, este perdeu a pelota frente ao defensor Barbosa lima, que afastou o perigo. Amarão pegou a bola gerando perigoso contrataque e lançou a esférica para Bibi, todavia, em posição de impedimento, bem marcado pelo árbitro. Aos 6 minutos Zé Tasso apareceu mais uma vez e puxou sua equipe para o ataque fazendo belo passe para Sigismundo, que devido à forte marcação de Barbosa Lima, perdeu a bola e o goleiro Nélson do Náutico a agarrou. O jogo estava equilibrado até que aos 8 minutos o atacante Karl tocou para Montheath e este de muito longe mandou o torpedo para abrir o marcador na Ponte D’Uchôa. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 1X0 NÁUTICO. Os garotos de Rosa e Silva começaram a cair de produção e aos 16 minutos, o atleta Soares cruzou a bola para Sigismundo e ele não desperdiçou. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 2X0 NÁUTICO.

Jornal Pequeno de 30 de abril de 1918.
O “The Green Team” começou a mandar no primeiro tempo e viu Sigismundo tocar para Karl, que tocou para Soares, que tocou para Montheath, mas este atleta estava impedido, de acordo com o juiz Alcindo Wanderley. Aos 21 minutos, o meio-campista Robinson (capitão do América e mais experiente, com 35 anos de idade) lançou a bola para o companheiro Zé Tasso, que de frente com o arqueiro Nélson, tocou no canto esquerdo para ampliar a vantagem. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 3X0 NÁUTICO. Dois minutos mais tarde foi a vez de Rômulo levantar a bola no peito de Karl, que a dominou e sem deixar cair no chão mandou para o fundo das redes adversárias. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 4X0 NÁUTICO. Sete minutos mais tarde, o zagueiro Ayres cruzou a bola de forma rasteira para os pés de Soares, que se encontrava perto da marca do pênalti, e chutou no canto direito de Nélson, que nada pôde fazer. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 5X0 NÁUTICO e assim terminou a primeira etapa do jogo. Os alviverdes voltaram para o segundo tempo para entrarem na história, aproveitando a segunda tarde mais infeliz da história do clube do bairro dos Aflitos (a primeira é melhor nem comentar) e aos 9 minutos, Zé Tasso tocou para Sigismundo na pequena área ampliar a vantagem. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 6X0 NÁUTICO. Possíveis discussões no intervalo fizeram os atletas do Náutico não fazerem força para evitar o vexame e aos 11 minutos, Soares cruzou para Zé Tasso marcar mais um. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 7X0 NÁUTICO. Três minutos depois, Robinson cobrou a falta na cabeça de Montheath e ele não desperdiçou. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 8X0 NÁUTICO. O gol de honra dos alvirrubros aconteceu aos 16 minutos, quando o meia Gravy tocou para Ivan, que tocou no canto esquerdo de Lopes. AMÉRICA 8X1 NÁUTICO.

Nota do Jornal Pequeno de 30 de abril de 1918.
Quatro minutos depois, apareceu a figura do meia Bermudes, que cruzou a bola para Soares mexer no placar do jogo, que beirava o absurdo. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 9X1 NÁUTICO. Ainda tinha vaga para mais e por isso, aos 26 minutos, o jogador Karl deu grande passe de bola para o craque Zé Tasso, que de fora da área mandou no canto de Nélson. É GOL DO AMÉRICA! AMÉRICA 10X1 NÁUTICO. Com um placar tão elástico, ficou visível que a ganância por mais gols, não seria bom para nenhum dos dois clubes e nem para o bem do futebol pernambucano, sem falar que, o público poderia se sentir menos motivado a comparecer aos jogos seguintes e o América se postou na defesa com todos os seus atletas. Antes do término, o Náutico teve uma grande chance de descontar aos 35 minutos no chute de Nadu, que forçou Lopes a fazer grande defesa e depois aos 40 minutos, quando o desportista Oliveira chutou de fora e a bola passou raspando as traves defendidas pelo arqueiro esmeraldino. Antes do título de campeão de 1918, o América ainda viria a golear tanto o Torre, quanto o Sport, ambos pelo placar de seis gols a um.

AMÉRICA
Lopes; 
Ayres e Alexi; 
Rômulo, Bermudes e Robinson; 
Karl, Sigismundo, Zé Tasso, Montheath e Soares.


NÁUTICO
Nelson; 
Barbosa Lima e Guilherme; 
Oliveira, Bibi e Gravy; 
Amarão, Amarinho, Lopes, Ivan e Nadu. 

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