sábado, 21 de março de 2015

O Periquito Emudeceu

Peço licença aos amigos para reproduzir um artigo divulgado no Jornal do Comercio do dia 04 de março de 2015, de autoria de Arthur Carvalho, advogado e jornalista.

"Ao jovem pode parecer demagogia dizer que o América faz parte de algumas das lembranças mais caras de minha infância querida, que os anos não trazem mais, E explico.Comecei a frequentar o lendário Estádio da Graça, em Salvador, levado pelo meu pai e tios Heitor e Luiz Catharino, na década de 40, ainda menino.
O campo da Graça era pequeno e de péssimo piso, fincado no bairro nobre do mesmo nome.Para o leitor ter ideia da fragilidade desse verdadeiro alçapão, as arquibancadas e gerais eram de madeira. Por ser de dimensões reduzidas, os times de Salvador, neles abarracados, dificilmente perdiam para os de outros estados. O Bahia lavou o Vasco ( 7 x 0) em 17-03-48 e o São Paulo ( 7 x 2) em 26-10-49.
 Os times daqui, de Pernambuco,  não ganhavam uma para os baianos, até que o América foi jogar na Boa Terra.Não lembro com precisão dos resultados daquela memorável excursão que o América fez em Salvador, mas seu quiper era o mitológico Leça, um dos melhores que vi eu vi atuar.Sei que a temporada foi brilhante, e Leça contratado pelo tricolor de aço, que viria a defender por 10 anos, tornando-se um dos maiores ídolos do clube e formando um trio final inesquecível, com Arnaldo e Zé Grilo. O Alviverde era nessa época o esquadrão pernambucano mais respeitado na Bahia.

Vindo morar no Recife, curti ótimos Américas, com o goleiro Zé Paulo, o beque central Dadá, o fabuloso Dequinha, o zagueiro Astrogildo, que quebrou a perna de Ademir Menezes, num amistoso noturno na Iha do Retiro, contra o vasco da Gama, o habilidoso meia-construtor Neca, o maravilhoso ponta-de-lança Hamilton Pé de Pato, os médios Pedrinho e Capuco, e ainda o artilheiro Macaquinho, o elegante centroavante mineiro Dimas e o extrema-esquerda Dario.

Assisti a muitos treinos do Campeão do Centenário no gramado do Bebinho Salgado, em Apipucos. E cheguei a enfrentar, defendendo o Leão, seu excelente juvenil, que tinha um craque chamado Jurandir.

 Celso Muniz, Jorge Tasso e Carlúcio precisam escrever alguma coisa sobre o tradicional Periquito, falando também de três figuras emblemáticas da fina flor da sociedade pernambucana - o glorioso América de " El Tigre" Zé Tasso, do veloz atacante Marcelo Cabral da Costa e do poeta João Cabral de Melo Neto.

O América que chegou a ser um dos quatro grandes do nosso futebol, juntamente com Sport, Náutico e Santa Cruz não merece tanta humilhação. Pelo que ele representa de tradição do nosso esporte bretão, deveria ser tombado e não penhorado.


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No livro de Roberto Vieira, "O Campeão do Centenário", tem um relato sobre a passagem do América em Salvador.
Tem também uma "Memórias Esmeraldinas" de Bruno Barros.
http://blogdomequinha.blogspot.com.br/2014/08/memorias-esmeraldinas-america-2x1.html

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