quinta-feira, 30 de julho de 2015

AMERICA'S OLD PLAYERS: O MEIA JUAN CELLY

Santo Tomé é uma cidade da província de Corrientes na Argentina, localizada na fronteira com o Brasil e que faz ligação com a cidade de São Borja/RS. Foi em Santo Tomé que nasceu no dia 28 de junho de 1930, um grande meio-campista da história do América Futebol Clube do Recife. Trata-se de Juan Francisco Celly.

O futebol apresentado na categoria de base do Estudiantes de La Plata da Argentina despertou em 1953 o interesse do Flamengo/RJ, que o contratou, mas, sem muito êxito. No mesmo ano, foi contratado pelo Sport para a disputa do Campeonato Pernambucano e não desapontou. Marcou um gol contra o Great Western na goleada por 7x0 em 14 de outubro, dois gols na goleada sobre o Auto Esporte-PE por 5x1 em 30 de outubro e ajudou o Sport a conquistar o título daquele ano. O vice-campeonato no ano seguinte não ofuscou a estrela do argentino e em 1955, foi peça importante no elenco que conquistou o título de campeão pernambucano no ano do cinquentenário do clube leonino. Depois de defender o Sport no Torneio Bahia-Pernambuco em janeiro de 1956, Juan Celly, conhecido como "Cartita Blanca", vestiu a camisa esmeraldina do América do Recife no estadual e foi destaque na vitória por 6x3 contra o Santa Cruz em 3 de junho, marcando o quinto gol alviverde em cima do goleiro tricolor Barbosa (vice-campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1950).

Juan Celly no Ferroviário/CE em 1958.
Depois de duas temporadas no América do Recife, Juan Celly se mandou para Fortaleza, onde defenderia as cores do Ferroviário do Ceará no campeonato estadual de 1958. No Ferroviário, marcou um dos gols do empate em 3x3 contra o América de Fortaleza no dia 29 de março pelo Campeonato Cearense e também marcou o primeiro gol na vitória por 2x0 no Estádio Presidente Vargas contra o Fortaleza no dia 6 de abril pela final da Copa Fortaleza-Maranguape. Com apenas 28 anos, encerrou sua carreira de jogador e tinha planos de voltar à Argentina, porém, aceitou o convite para ser treinador do Central de Caruaru nas disputas dos campeonatos da Liga Caruaruense de 1959 e 1960. Em 1961 surgiu a oportunidade de treinar o ASA de Arapiraca-AL. O ASA entre 1954 e 1963 se dedicou exclusivamente a jogos amistosos, tidos como mais lucrativos do que os jogos do Campeonato Alagoano. Sob o comando de Juan Celly, o ASA realizou amistosos interessantes como a vitória sobre o Esporte Clube Estivadores por 2x1 no dia 20 de agosto e o empate em 2x2 contra o CSE de Palmeira dos Índios no dia 17 de setembro, entretanto, a derrota para o Íbis/PE por 1x0 em Arapiraca no dia 22 de outubro, levou à demissão do treinador.
E. C. Propriá, campeão da 2ª divisão de Sergipe em 1964.

O América de Propriá/SE o contratou para comandar o time nas disputas do Campeonato Sergipano até 1963, quando recebeu o convite do CRB de Maceió para disputar o Alagoano. No comando do “Alvirrubro da Pajuçara”, Celly conquistou o 1° turno e ficou com o vice-campeonato, após perder a decisão para o CSA, campeão do 2° turno. Em 1964 foi contratado pelo E. C. Propriá, conseguindo nesta equipe, o título de campeão sergipano da segunda divisão, fato que o levou no mesmo ano a comandar o Club Sportivo Sergipe, no qual, faturou o título da primeira divisão após desbancar a hegemonia do Santa Cruz de Estância/SE. Em agosto, o ASA de Arapiraca o chamou de volta para a disputa do Campeonato Alagoano, porém, apesar dos bons resultados, não conseguiu levar o ASA a evitar o título do CRB, campeão dos três turnos do certame.

Em 1966, o Confiança de Aracaju lhe abriu as portas e Juan Celly levou o time ao vice-campeonato sergipano, após perder a decisão para o América de Propriá, que faturou o título. O ASA de Arapiraca, em 1967, lhe contratou mais uma vez para ser seu treinador. Sob seu comando, o ASA venceu apenas seis dos quinze jogos do primeiro turno, campanha que o levou a ser demitido. Trocou o ASA pelo Capelense para a disputa do 2° turno, mas, apenas levou a equipe de Capela/AL a um empate em cinco jogos. Em 1968, teve uma rápida passagem pelo Bahia de Feira de Santana/BA e em abril retornou ao Capelense visando a disputa do Campeonato Alagoano. Levou o Capelense a decidir o 1° turno contra o CRB no dia 18 de dezembro, porém, veio a derrota por 2x0. O 2° turno havia sido conquistado pelo ASA, que contratou mais uma vez Juan Celly para ser seu treinador no 3° turno. A perda da final do 3° turno para o CSA provocou um Supercampeonato com partidas jogadas unicamente em Maceió, o que prejudicou a equipe de Arapiraca, que não conseguiu o título.

Em 1969, comandou o Penedense no Campeonato Alagoano e levou a equipe de Penedo/AL a um modesto 5° lugar, com 3 vitórias e 5 empates em 11 jogos. No 2° semestre, foi chamado pelo Olímpico de Aracaju e conseguiu levar esta equipe perto do título do Campeonato Sergipano, mas, não foi páreo para o Itabaiana, que ficou com o troféu. Entre 1970 e 1972 comandou o Lagarto Esporte Clube, até que em 1972 foi contratado pela Associação Olímpica de Itabaiana. Sua estreia se deu em 26 de março, dia em que o Itabaiana venceu o Cotinguiba de Aracaju por 3x0 em jogo amistoso no Estádio Presidente Médici. Com jogadores de qualidade, Juan Celly levou o Itabaiana ao título de campeão sergipano de 1973, depois de derrotar o Sergipe nos pênaltis no Estádio Batistão em Aracaju no dia 22 de agosto. Celly teve então três passagens seguidas pelo ASA, sempre delimitadas por insucessos, sejam do treinador anterior ou mesmo seu. Treinou o time de Arapiraca de julho a setembro de 1974, de agosto a outubro de 1975 e entre abril e julho de 1976. Em 1976 assumiu novamente o comando do Lagarto/SE, onde conseguiu ser campeão do Torneio Início de Sergipe neste mesmo ano, ficando no clube até 1977, quando saiu para defender as cores do Cotinguiba de Aracaju.
Celly, tricampeão sergipano com o Itabaiana em 1980.

A sua segunda passagem pelo Itabaiana teve início em 1978 e terminou em 1981 (após derrota para o Santa Cruz/PE por 2x0 no Campeonato Brasileiro em 4 de fevereiro), lucrando o tricampeonato sergipano 1978/79/80 e uma campanha marcante no Campeonato Brasileiro de 1980, no qual, comandou o Itabaiana na vitória por 2x1 contra o Internacional (atual campeão) em Porto Alegre/RS no dia 23 de fevereiro. No 2° semestre de 1981, Juan Celly foi treinador do Sampaio Correa/MA e levou a equipe ao vice-campeonato estadual, vindo a perder a final para o Moto Clube. Em 1982, o argentino começou sua 7ª passagem pelo ASA de Arapiraca, passagem esta que começou no dia 06 de junho com a vitória por 3x0 contra o São Domingos e terminou no dia 1 de agosto, após derrota por 2x0 para o CRB. Ainda em agosto, foi contratado pelo Sergipe, que visava a disputa do estadual. Celly comandou o Sergipe rumo ao título de campeão sergipano em 1982 (título dividido com o Itabaiana), bem como no Campeonato Brasileiro de 1983, no qual, teve uma campanha modesta. O Fluminense de Feira de Santana/BA foi a nova equipe de Juan Celly, vindo a comandar a partir de julho de 1984, quando se iniciou o Campeonato Baiano, mas, sua passagem não durou sequer um mês e lá já estava ele de volta ao Sergipe para conquistar mais um título, o de campeão sergipano de 1984. O Estanciano/SE foi a casa de Juan Celly a partir de 1985 e depois o Lagarto/SE até 1989. Em 1990, comandou o Amadense de Tobias Barreto/SE na Série A1 do Campeonato Sergipano, mas, foi demitido. Foi contratado pelo Olímpico de Itabaianinha/SE para a disputa da Série A2 do Campeonato Sergipano, vindo a brilhantemente conquistar este título. Nem bem havia sido campeão pelo Olímpico, foi contratado pelo Confiança já na fase final da Série A1 e também foi campeão. Treinou o Maruinense de Maruim/SE até 1992, onde se cogita ter encerrado a carreira.

Juan Francisco Celly faleceu aos 85 anos de idade em Aracaju no dia 11 de julho de 2015, vítima de problemas de saúde agravados pela diabetes. A filha Viviane e o genro Jorge residem no bairro de Novo Paraíso na capital sergipana.
O Blog do Mequinha agradece a Marcos Nascimento do Blog do Marcão e a José Matheus Tavares de Lima (administrador de uma página da Associação Olímpica de Itabaiana no Facebook) pela ajuda que tornou possível esta publicação.










4 comentários:

  1. As postagens dos ex jogadores do Américas estão ótimas. Parabéns Bruno.

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  2. AINDA ACHO O BRUNO UM ÓTIMO JORNALISTA VIU.
    ME EMOCIONEI COM A HISTÓRIA DESTE ANTIGO JOGADOR,QUE SÓ O VI COMO TREINADOR NO INICIO DA DÉCADA DE 80 PELO SERGIPE.
    SUCESSO BRUNINHO.

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