quarta-feira, 26 de agosto de 2015

UMA VIDA DENTRO DO AMÉRICA

Parte da história do América foi revelada este ano através do livro " América, o Campeão do Centenário" de autoria de Roberto Vieira, falo parte porque tem histórias que não deram para ser relatadas.

Histórias de um América visto por dentro, através dos dirigentes que vivenciaram o dia-a-dia do clube. Grandes Alviverdes, que lutaram para manter o clube ativo. Pessoas como Sandenelson Ferrão, Antônio Jacarandá, Humberto Barradas ou Celso Muniz. Tem ainda Roberto Zaidan, Francisco Bicalho, Sergio Serpa, Otácil ou os irmãos Moreiras.
Neste caso resolvi registrar um pouco destas experiências, de reunir mais informações sobre o Clube, com personagens que vivenciaram esta história. O primeiro nome que veio a minha mente foi o de José Amaro Moreira.

Recentemente fiz uma visita a este homem , passando uma tarde agradável e conhecendo o América através de alguém que realmente viveu o América. Zé Amaro ainda está ativo, mente aguçada, procurando sempre informações sobre o clube e preocupado com o futuro do América: " esta história não pode parar! ".

Ele esta afastado do futebol por problemas de saúde, que deixou algumas sequelas, mas, muito atuante.

A história de " Zé Amaro" começou com o pai, José Augusto Moreira, que foi sócio, conselheiro, diretor, presidente do América.....

" lembro de ter 6 anos de idade, talvez um pouco mais ou pouco menos, e estar na concentração do América, almoçando com jogador!! Meu pai vivia dentro e eu era o filho do presidente!!
Lembro quando o América concentrava em Apipucos, lá no alto, casa boa.
Ser América estava dentro de mim!! tenho irmão que é Sport, outro é Santa Cruz, eu sou América!!
Lembro de grandes times, de jogos memoráveis! de Jogadores bons mesmo..."

A conversa começou assim, ao longo da tarde foram surgindo grande passagens da história de nosso clube. A escalação do time de botão, a passagem do América por Salvador, num jogo contra o Bahia onde o " Pau cantou" mesmo!! Lembrança de Lessa!!

" Lessa foi goleiro do América, um dos melhores que vi jogar, ele teve grande passagem pelo futebol baiano, foi eternizado por Caetano Veloso em uma de suas músicas. Foi ídolo no Bahia, não deixou a briga prosperar."
Walter Lessa foi, talvez, o melhor goleiro que guardou as barras alviverdes, campeão pelo América em 1944 foi transferido para o Bahia onde se destacou.Foi homenageado por Gilberto Gil em um verso da música tradição.

"Cresci dentro do clube, quando menino brincava lá, o meu time de botão era o América, um time forte...convivi com grandes dirigentes, grandes jogadores, pessoas que viviam em torno da sede, que com o passar do tempo foram saíndo..."

Zé Amaro acompanhou a vida do clube " de dentro", a disputa pelo poder, as eleições, lembra com tristeza da licença do clube nos anos 60 e dos anos 90. A falta de oxigenação do clube ( novos dirigentes), as brigas, a ausência de títulos, a falta de recursos.. tudo isto provocou o apequenamento do América.

"Nesta fase eu fiz de tudo para ajudar, seja no futebol ou vendendo bebidas nas festas que promovemos!!"

O lado social do clube foi ativado revitalizado com o objetivo de capitalizar o clube, teve show de tudo, de artistas da terra, nomes de sucesso  e até desconhecidos. Tradicionalmente tinha o Baile das Rosas e o carnaval do América.

"Que eu lembre tem dois shows que lotaram o América, era tanta gente na Estrada do Arraial que mandei abrir os portões, o primeiro foi o show dos Pholhas e o outro de José Augusto ( na época em que estava explodindo com a música chuvas de verão)".

Ele lembra que varou noites vendendo cerveja no balcão do bar do clube.

Uma tarde é pouco tempo para ouvir as histórias de Zé Amaro.....



3 comentários:

  1. Bom ler estes relatos, alimenta meu amor pelo meu time, meu Mequinha.

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  2. Bom ler estes relatos, alimenta meu amor pelo meu time, meu Mequinha.

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