terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Quinze contra onze

Time do Náutico e os onze jogadores o América perfilados em campo | Foto: Esequias Pierre

Erros de arbitragem já fazem parte do cotidiano americano desde meados da década de cinquenta contra o Trio de Ferro da capital. E nesse ultimo Clássico da Técnica e Disciplina não seria diferente. Gol mal anulado, infrações e um gol controverso marcado para o Náutico. No mínimo, a arbitragem desse tal de Ricardo Jorge foi uma das mais bisonhas do ano, conseguindo ser mais confuso do que o árbitro Gilberto Castro Junior, que havia desagradado a santacruzenses e americanos no último Clássico da Amizade. Isso, para não dizer muito mais. 
Ricardo Jorge, o craque timbu | Foto: Andre Nery

Proibido de jogar no Ademir Cunha graças a um forte complô de parte da imprensa e da própria diretoria do Náutico, o América mandou seu jogo na Ilha do Retiro, esperançoso em conseguir um grande resultado contra uma das equipes que almejam o título estadual. A disputa era de líder contra o vice-líder, com o Náutico ocupando a ponta da tabela com nove pontos e entrava em campo com a oportunidade de se afastar do restante do pelotão. Já o Campeão do Centenário entrava no gramado da Ilha querendo fazer mais uma gordura no G4 e tentar surpreender os alvirrubros. Um resultado positivo poderia fazer americanos e alvirrubros dividirem a liderança do segundo turno.

O Periquito sabia que não teria vida fácil pela frente e, assim como contra o Santa Cruz e Sport, o time liderado pelo técnico Charles Muniz apostou no jogo defensivo. O esquema montado por Muniz fez com que o time de Rosa e Silva tivesse muita dificuldade em penetrar na defesa esmeraldina. E logo no inicio, aos 8 minutos, veio a primeira grande oportunidade do jogo em jogada de escanteio cobrada por Laranjeiras. Bola chega até Neto Bala, que matou a bola no peito e emendou uma meia-bicicleta, fazendo um golaço para o América. No entanto, o árbitro anulou o lance, marcando impedimento do jogador.

Com o sistema defensivo do América funcionando no primeiro tempo, o Náutico apostava nos cruzamentos para o campo de ataque e para a área também, mas a dupla de zaga esmeraldina estava sempre atenta ao jogo e, quando passava algo, Delone estava firme e atento, fazendo a sua melhor partida até aqui. Um dos grandes momentos do arqueiro esmeraldino foi aos 27 minutos em pênalti marcado pela arbitragem. O zagueiro Danilo Cirqueira derrubou o Daniel Morais que tentava fazer o pivô dentro da área. O próprio atacante foi para a cobrança, mas o goleiro Delone salvou a equipe alviverde. Foi sua terceira penalidade defendida neste estadual, que já havia impedido outros dois gols diante do Vitória, no Carneirão e, pela terceira rodada no segundo turno, diante do Santa Cruz.

Fazendo um bom primeiro tempo, o América criou boas chances e só não voltou para o vestiário com a vantagem por causa dos erros da arbitragem. A primeira lambança de Ricardo Leite começou aos 35 minutos, quando Alex Gaibu cobrou falta com categoria e mandou para o fundo da rede de Julio Cesar. O juiz, provavelmente insatisfeito com o gol esmeraldino, mandou a cobrança voltar justificando que a barreira andou. Situação bisonha do árbitro da FPF, que beneficiou exclusivamente o infrator. Na segunda cobrança de Gaibu, o goleiro alvirrubro fez a defesa para euforia do árbitro Ricardo Leite, fazendo o duelo entre América e Náutico indo para o intervalo com o placar zerado.
  
O goleiro Delone novamente foi um dos destaques da partida | Foto: Andre Nery/JC Imagem


Veio o tempo complementar e não durou muito tempo para a meta de Delone ser vazada. Aos três minutos de jogo após uma cobrança de falta, o Náutico abriu o placar após grande defesa de Delone. Após uma defesa a queima roupa, o arqueiro alviverde deixou a bola sobrar na pequena área, que sobrou pra Ronaldo Alves empurrar para dentro do gol americano. Os jogadores esmeraldinos reclamaram na hora alegando impedimento de Fabiano Eller. O zagueiro alvirrubro estava adiantado na jogada, atrapalhando Delone e Yuri que estavam na jogada, mas atrapalhou a jogada impedindo que os dois jogadores alviverdes chegassem até a bola e impedisse o gol alvirrubro, mas o bandeirinha e o arbitro do jogo fez vista grossa no lance e validou o gol timbu.

O gol prematuro do timbu fez com que toda a proposta de jogo de Charles Muniz fosse modificada ainda no inicio do segundo tempo. Necessitando buscar o gol de empate, o América deu os espaços que no primeiro tempo o Náutico não conseguia. E isso fez com que Delone ganhasse ainda mais destaque no jogo, salvando o América em pelo menos quatro chances claras de gol. Pra piorar a situação, o América ainda terminou o jogo sem Neto Bala, que tomou o segundo cartão amarelo aos 26 minutos da segunda etapa e foi expulso de campo.

O jogo chegou ao fim e a impressão que fica é que o América poderia ter beliscado a vitória ou um empate na Ilha se a arbitragem não tivesse atuado como o décimo segundo jogador do Náutico. Se o arbitro escalado estava mal intencionado ou era ruim de apito mesmo, complicado dizer. A nós, torcedores, meros espectadores do espetáculo, ficamos no campo da especulação. Fato é que o América ou qualquer outra equipe fora do Trio de Ferro que disputa do Hexagonal do Título não goza da boa vontade, nem da imunidade política, que usufruem os times de maior torcida. Aqui fica o protesto para que diretoria esmeraldina busque as devidas iniciativas e providências para tentar evitar que erros desse tipo continuem atrapalhando as pretensões do América neste segundo turno.

Vida que segue e domingo que vem a vida do América continua no Campeonato Pernambucano. O adversário será o Salgueiro, um dos concorrentes diretos a quarta vaga para disputa da semifinal do Campeonato Pernambucano. No Arruda, o América recebe o Carcará do Sertão na última partida dos jogos de ida. Caindo da segunda para quarta colocação com os mesmos seis pontos, o América necessitará superar os atuais vice-campeões estaduais para continuar dentro do G4. E nós estaremos lá para apoiar.


2 comentários:

  1. A análise está perfeita... os principais blogs e "jornalistas" de Pernambuco se apressaram em afirmar que as anulacoes foram corretas! E nem se quer citam o problema no gol do Náutico!
    O fato é que o árbitro já tinha autorizado a cobranca sim... e para atrapalhar decidiu voltar sem motivo, alegando que a barreira andou. Benefício direto ao infrator.
    Mas a vida do América tem sido essa desde a década de 50 como foi dito no texto. A mesma década que projetou o Náutico como terceira forca do futebol pernambucano. Basta pegar os jornais da época e ler sobre os escandalos.
    A diferenca para hoje é que torcedores dos tres grandes fazem parte da imprensa e ganham com isso. Entao vivemos uma ditadura disfarcada onde os principais protagonistas dela estao formando as opinioes. E o pior, se travestem com pseudodiscursos libertarios para fomentar um jogo de cartas marcadas, onde os verdadeiros prejudicados sao aqueles que poderiam contribuir para o espetáculo.
    Ano passado tentaram enterrar o América... nunca deram a relevancia para o trabalho de base do Alviverde que vem sendo realizado nos ultimos tres anos e uma iniciativa que comecou e terminou com o anúncio do fim do todos com a nota foi tratada como uma revolucao. Enfim... somos teimosos e ele vao ter que nos engolir.

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    1. Isso tudo é uma má administração que essa FPF vem tendo junto com quem escala os árbitros virmos no site que tem vários árbitros e assistente bons que trabalha nos campos de vazia em categorias amadoras que são profissionais esperando uma chance e nada de coloca os caras ai deparamos com alguns e ate velhos conhecidos que são figurinhas repetidas, ai pronto espera o que de uma administração com essa onde ontem mais uma vez toda arbitragem estava terrível Ricado nem se fala a Fernanda tem medo de marca faltas próximas dela o vários jogos venho acompanhado e essa sempre faz isso acho que só veio para vitrine pois aqui tem muitas meninas que trabalham melhores que ela minhas desculpas mas é isso, o Charles não vou falar pois o lance foi muito difícil e ele trabalha muito bem não apresenta erros cotidianos em jogos eu mesmo nunca vi erro que venha coloca o trabalho dele em risca. o quarto árbitro não irei falar pois não interferi no jogo em andamento. Com isso minha conclusão é que arbitragem de Pe tem que melhorar bastante ou quem escala usar as opções que tem no banco pois figurinhas repetidas não preenche álbum. vamos ver quem vai para o Clássico. "ArbitragemVergonha".

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