quinta-feira, 9 de junho de 2016

América e Galícia: 71 anos de história e coincidências

Time do América em 1945 com cada jogador americano  homenageando um clube baiano

Domingo que se aproxima marca a estréia do América no Campeonato Brasileiro da Série D. Algo que até pouco tempo atrás era difícil de imaginar até mesmo para os mais otimistas dos torcedores americanos. Sem o aporte financeiro, sem patrocinadores e com diversas incertezas pelo caminho, a vaga na Série D que estava assegurada dentro de campo quase não virava uma miragem aos olhos de sua torcida.

E será neste domingo que o América entrará em campo para continuar a retomar seu espaço perdido no tempo. É contra o Galícia, que embora esteja mandando seus jogos em Jacobina no interior baiano, é de Salvador e com uma história bem semelhante a nossa, vários anos licenciado ou disputando a divisão de acesso do estadual por longos 14 anos. E em meio a crise financeira volta à disputar o Campeonato Brasileiro depois de 19 anos. São várias as coincidências com o nosso América, que assim como o time baiano passou 15 anos longe da primeira divisão estadual e voltou em definitivo para ela em 2013, isso sem contar o hiato de 25 anos sem disputar uma divisão do Campeonato Brasileiro.

Excursão do América na Bahia foi digna de aplausos baianos, segundo o Diário do dia 11 de abril de 1945

Coincidências a parte, contam-se nos dedos as vezes que americanos e granadeiros tiveram seus caminhos cruzados. Ao todo, foram três confrontos entre os anos de 1945 e 1956. E isso mesmo levando-se em conta que há décadas atrás, ainda na primeira metade do século vinte América e Galícia eram uma das forças de seus respectivos estados. Enquanto o América fora campeão pernambucano em 1944 e vice-campeão no ano seguinte, o Galícia conquistava o tricampeonato baiano, faturando os títulos nos anos de 1941, 1942 e 1943, além de dois vice-campeonatos nas duas temporadas seguintes. E durante este período, em 1945, que o Campeão do Centenário foi a Salvador em uma excursão enfrentar não apenas o Galícia, mas também diante do Bahia, Ypiranga e Vitória. 

Uma excursão de sucesso que fez o Periquito da Estrada do Arraial encher os bolsos, levando para Boa Terra uma delegação com 20 pessoas e colocar em seu caixa 15 mil cruzeiros por jogo. Enfrentando as principais equipes baianas da época, o América conquistou a simpatia dos torcedores soteropolitanos, principalmente depois que entrou no Estádio da Graça com cada atleta alviverde vestindo a camisa de um clube baiano.

E diante dos Granadeiros, veio a primeira vitória desta excursão, vencendo os azulinos por 2x1. A narrativa de toda esta partida já foi contada aqui no Blog do Mequinha em uma das edições das Memorias Esmeraldinas. Tal foi o impacto da vitória e do futebol apresentado diante do time da colônia espanhola de Salvador que mais tarde o clube da Estrada do Arraial fora convidado para enfrentar o Ypiranga - clube mais popular da Bahia naquele período -, o Bahia em dois jogos, que na época era o campeão baiano da temporada e o Vitória, que estava voltando de uma excursão em Sergipe.



Um ano depois do primeiro duelo, o América voltava a Salvador em uma nova excursão. Segundo o Diário de Pernambuco o América não precisou se esforçar muito pra sair do Estádio da Graça vitorioso, vencendo os donos da casa e atuais campeões da Bahia por 3x1, com dois gols de Djalma e outro de Zezinho. Leça que anos depois faria seu nome no Bahia também se destacou, defendendo um pênalti de Cacuá.

O último encontro entre as duas equipes aconteceria dez anos depois pela ultima rodada da Taça Pernambuco-Bahia. Na Fonte Nova o América foi derrotado por 3x2 em um jogo bastante movimentado onde o América após ter perdido o primeiro tempo por 2x0 nos primeiros 20 minutos de jogo, o Campeão do Centenário conseguiu empatar o "prélio", mas acabou no lance final sendo derrotado, sofrendo o gol derradeiro aos 44 minutos do tempo complementar.

Destaque do Diário de Pernambuco na edição do dia 06 de março de 1956

Depois de um hiato de 60 anos, as duas equipes voltam a se enfrentar. Um Galícia e América sem aquela mesma pompa dos anos 40 e 50, mas com as duas equipes compartilhando das mesmas dificuldades e da mesma vontade de buscar dias melhores.

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