quinta-feira, 9 de junho de 2016

"América é o orgulho de Pernambuco na Copa Brasil"

Esse era o título da coluna de Júlio José sobre o América no campeonato brasileiro da segundona de 1981, a Taça de Prata. A coluna também trazia uma caricatura em alusão ao América e fazia justos reconhecimentos à gestão de Jaboatão no apoio ao Alviverde. E interessantemente, mencionava a projeção que o município ganhara com um representante vitorioso em nível nacional. Os jornais destacavam a chance real de classificação do América.

América da campanha contagiante de 1981
A campanha Alviverde era quase perfeita e consagrava, até então, uma história vitoriosa na competição nacional. O América estava à beira de uma classificação para a segunda fase do certame. Chegou ao último jogo precisando apenas de um empate para se lançar à disputa de uma vaga na taça de ouro.

Mas a história começara antes, com ingredientes que todos conhecemos: orçamento apertado e aprovação do estádio pela CBF nos minutos finais. Celso Muniz, o pai, era o presidente e levava com mão de ferro as contratações Alviverdes. Mesmo tendo uma diretoria de futebol e o treinador Nelson Lucena cooptando jogadores, o aval só era dado com o crivo financeiro do presidente. Isso ainda nos fins de 1980.

Porém pouco antes da competição, Nelson Lucena aceitou proposta do Santa Cruz e saiu. Jálber Carvalho assumiu o comando do time depois de uma negociação difícil. Fernando Guerra e Fernando Fraga articularam a vinda de Jálber, jovem e competente. Vieram também, alguns jogadores da região para reforçar a equipe e o América montou um bom time, dentro do orçamento. 

O outro fator importante, se não decisivo do bom momento de 1981, foi o Jefferson de Freitas. Os Alviverdes sabiam que em Jaboatão o América poderia ser forte. Na primeira vistoria feita pela CBF o Jefferson de Freitas não foi aprovado. Uma série de recomendações da FIFA foi entregue pela entidade máxima do futebol brasileiro e as providências foram tomadas com a união de diretoria, grandes Americanos e da prefeitura de Jaboatão. Estádio pronto em tempo para a competição! A populacao jaboatonense abraçou o América a o clube ganhou o carinho dos torcedores, da imprensa e foi surpreendendo todo mundo.

América fazia a festa em Jaboatão dos Guararapes
Não poderia dar em outra: depois de uma estreia fora de casa com vitória sobre o Central em Caruaru, o América disputou três dos sete jogos em Jaboatão e foi absoluto com duas vitórias e um empate. No meio do caminho, após empate contra o Náutico no Arruda, a diretoria alvirrubra buscou retirar os pontos do América, alegando que Marcos Pintado não estava devidamente regularizado. Bateram com a cara na parede e o Alviverde ganhou uma injeção de ânimo adicional.

No Jefferson de Freitas, a torcida correspondia à boa campanha do time
Após seis jogos, o Alviverde estava invicto (três empates e três vitórias), era o líder e jogaria contra o ASA em Arapiraca. O ASA era o último colocado e não tinha mais pretensões na competição; o América dependia apenas de um empate. E mesmo se perdesse ainda poderia torcer por uma vitória do Náutico sobre o Botafogo-PB em partida nos Aflitos. América perdeu por 2 a 0 e o Náutico empatou nos Aflitos. Náutico e Botafogo-PB passaram para a próxima fase, e o América ficou de fora devido ao número de gols marcados.

América e Náutico se enfrentaram no Arruda, o jogo foi 1 a 1 e o gol Alviverde foi de Marcos Pintado

Dada a reação da imprensa, notava-se uma grande decepção e revolta pelo supreendente fraco desempenho do time em Arapiraca, pelo resultado constrangedor do Náutico e pelo balanço final. Restou ao América apenas o consolo de uma boa campanha.

O América enfrentando o ABC, o ASA, o Botafogo-PB, o Confiança, o Treze e os conterrâneos Náutico e Central fez uma de suas melhores participações em campeonatos brasileiros no ano de 1981. Na verdade, as campanhas de 1981 e 1972 juntas faziam do América um clube vencedor no brasileirão. Prognóstico que só mudaria com as campanhas seguintes.

0 comentários:

Postar um comentário