sexta-feira, 10 de junho de 2016

América finalista no brasileirão

Indubitavelmente a melhor participação Alviverde em competições nacionais aconteceu em 1972. Time consistente que não chegou à final por pouco. A afirmação "por pouco" pode ser contestada se forem olhados só os méritos dos resultados. Mas, estamos aqui pra refrescar memórias e não para morrer na frieza dos números. Basicamente, a competição para o América pode ser dividida em dois momentos bem distintos: um vitorioso e outro lamentável.

América da grande campanha de 1972, a melhor posição Alviverde em nacionais
O ano começara morno e foi melhorando para o Alviverde em 1972. Após um pernambucano onde o maior feito foi a vitória sobre o Sport na Ilha, o América ficou em terceiro lugar no torneio Eraldo Gueiros, disputado como um um segundo estadual antes de começar o brasileirão. Depois do torneio a diretoria foi obrigada a fazer dispensas no elenco e reduzir a folha de pagamento. Com o plantel mais enxuto vieram mais alguns jogadores e sob o comando de Caiçara o América fez uma estreia contra o Central em Caruaru, onde arrancou um empate. Mas não valeu de nada, pois em seguida a CBD mudou a tabela.

Pedrinho era um dos destaques do time de 1972
Novo grupo C com Ferroviário, CSA, Botafogo, Alecrim e nosso América. O Verdão efetivamente estreou contra o CSA. O jogo foi nos Aflitos e o América venceu os alagoanos por 2 a 1. Euforia da direção por um lado, baixa adesão da torcida por outro. A arrecadação gerou prejuízos, o que foi um padrão geral, já que os alagoanos até diziam que o torneio poderia levar os times à falência.

Com todo mundo animado o América foi à Paraíba enfrentar o Botafogo. O jogo é digno de nota, pois foi uma verdadeira batalha. Bomba explodida nos vestiários Alviverde e muita confusão, o América retornou para Recife com um 3 a 0 na sacola. O tumulto teve repercussão na imprensa e o jogo de volta foi tratado como revanche. O Verdão se saiu bem e venceu o Botafogo por 2 a 1, na penúltima rodada.

Na confusão da Paraíba, Lala, um dos destaques do time, saiu machucado e o time tirou o material no próprio gramado. 

A derrota para o Botafogo na Paraíba quase desanima a imprensa e os Americanos. Mas o time bem treinado de Caiçara foi até o Rio Grande do Norte e trouxe mais uma vitória, reassumindo a liderança do grupo. Daí em diante o Verdão manteve a regularidade no certame e em uma partida em casa contra o Alecrim, empatada em 0 a 0 e apitada pelo alagoano Márcio Canuto, o América se sagrou campeão do grupo C e avançou para o quadrangular que decidiria o finalista do campeonato. Agora o Mequinha teria pela frente Campinense, CSA e América (RN).

Porém, os sintomas do que seria o mal da segunda fase já apareciam antes mesmo da classificação. Salários atrasados e premiações não pagas causavam a revolta dos jogadores. O prêmio prometido por Fernando Guerra para se classificar ficava cada vez mais distante segundo os atletas Alviverdes, já que a diretoria havia abandonado o time. Até mesmo Rubem Moreira entrou na roda. Ele prometera bicho para cada vitória, mas nada fora pago. E quando desembolsado, o valor foi muito abaixo do prometido. Caiçara parecia saber contornar a situação e manter o mínimo do astral para levar o time à fase decisiva. Mas ele não teve forças para segurar a bronca no quadrangular. Depois de classificado o time ameaçava não viajar para jogar com o Campinense na estreia da segunda fase. Foi e voltou derrotado. E assim se sucederam as derrotas e os problemas até o último jogo em casa, contra o CSA, quando o América se despediu com a única vitória no quadrangular.

A história poderia ter sido diferente se na época os Alviverdes tivessem se apoiado mais, mutuamente. No grupo do quadrangular enfrentamos adversários no mesmo nível e o Campinense se saiu vitorioso, indo disputar o título com o Sampaio Corrêa. Por isso, mesmo com a péssima campanha do quadrangular, quase chegamos em uma posição ainda mais honrosa do que o oitavo lugar alcançado.

Uma história que tem muito para nos ensinar nos dias de hoje. 


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