America 1x2 Central: Regredimos



O América é o clube do inesperado. E aqui no Blog do Mequinha já escrevemos várias passagens épicas do Alviverde da Estrada do Arraial. E não... não estamos nos referindo aqui aos anos memoráveis do clube, que ficaram esquecidos na sala de troféus. É de agora mesmo e que, por mais que não tenha trazido nenhuma título ao Campeão do Centenário, são motivos de orgulho para quem hoje torce pelo América, pois são sinais de bravura e raça diante de um futebol cada vez mais injusto e desequilibrado.

Quem acompanha o América nos últimos dez anos pôde presenciar em 2010 o acesso a Série A1, quando poucos acreditavam que poderíamos vencer o Chã Grande no Barbosão e ainda ver o Timbaúba tropeçar diante do Pesqueira. O resultado foi um 4x1 surpreendente, inesquecível para qualquer torcedor americano, coroando um retorno a primeira divisão após amargar quinze anos longe. Isso graças a um gol esmeraldino a mais que o Timbaúba, que encerrou o campeonato com os mesmos 12 pontos e com as mesmas quatro vitórias que o Periquito, mas se deu mal ao vencer o Pesqueira por "apenas" 3x2 atuando fora de casa, no Joaquim de Brito.

Chegamos em 2011 e o America, que foi saco de pancada durante todo o primeiro turno do estadual, mudou da água para o vinho, conquistando o que para muitos, seria até então impossível de imaginar: a permanência na primeira divisão estadual. O último capítulo desta história foi dramática, com vitória de virada, por de 2x1, contra o Araripina, lá no sertão, com gol aos 47 minutos, assinalado pelo zagueiro Carioca e que, aquela altura da partida, estava lesionado e sem condições de ser substituído, pois Paulo Junior (treinador naquela ocasião), já havia queimado as três substituições que lhe tinha direito...

E o que falar de 2017 em Serra Talhada, novamente precisando de uma vitória fora de casa juntamente a combinação de placar em outra partida, na última rodada. E mais uma vez lá estava o América, conseguindo o feito de se safar mais uma vez. Novamente no sertão pernambucano, o Periquito conseguiu aos 35 minutos do tempo complementar um gol que sacramentaria sua permanência na elite estadual, com atuação brilhante e milagrosa do goleiro Ruan debaixo da barra do Pereirão. E por um fio de cabelo de sapo, o time não foi rebaixado, igualando-se ao mesmo número de pontos de Vitória e Serra Talhada com 16 pontos, mas se salvando graças a uma vitória a mais e colocando o próprio Serra Talhada na vala da segunda divisão.

Mesmo com campanhas mais expressivas como em 2016 e 2018, quando o América apresentou um futebol mais consistente, chegando a garantir vagas na Série D do Campeonato Brasileiro, nos últimos dez anos do América estas três temporadas citadas acima talvez tenham sido as mais marcantes na história de superação do Periquito, dentro das quatro linhas. Infelizmente em 2019 não parece que o milagre irá repetir na Estrada do Arraial. O que para nós como torcedores, lamentamos. O clube não pode lá ter as melhores instalações e dar as melhores condições para os atletas. Afinal, estamos falando do América, um clube limitado financeiramente, dependente de abnegados e com pouco espaço de mídia, isso comparado até mesmo aos clubes do interior. Entretanto, mesmo diante destas limitações, o clube fez o possível para arcar com suas obrigações, mantendo salários em dia e garantindo premiação em caso de vitória. Nem isso fez com que o apático elenco conquistasse uma única vitória até aqui.

Diante do Central o alviverde até esboçou alguma reação, abrindo o placar aos do primeiro tempo com Marcus Bala, aos 12 minutos. O volante arriscou de fora da área, a bola desviou no lateral Daniel Nazaré e enganou goleiro Jeferson, da Patativa. E foi só isso mesmo. Após iniciar os primeiros quinze minutos de jogo buscando surpreender o Central na base da velocidade, o restante do primeiro tempo foi fraco, com os dois times errando muitos passes e não criando nada de produtivo. Veio o segundo tempo e o Central mudou, colocando Leandro Costa para jogar para empatar aos 22 minutos. Inconsistente e limitado tecnicamente, o América voltou a entrar em pane naquele que foi o seu segundo jogo atuando no Ademir Cunha. O resultado não poderia ser outro, com o Central virando o placar aos 37 minutos, com gol de George, após passe de Leandro Costa, liquidando a partida.

Com apenas um ponto, o esmeraldino está a seis do Petrolina, primeiro time fora da zona de rebaixamento. Virtualmente rebaixado, o América necessita vencer as duas ultimas rodadas bem diante do Náutico e Flamengo e torcer para que dois clubes entre Flamengo, Vitória e Petrolina não venham a pontuar nestas duas rodadas restantes. Se mais de um deles pontuar acima do limite, game over. Para quem em sete rodadas não conseguiu mostrar nem futebol nem raça, fica difícil acreditar que o América venha a repetir o "impossível" como foi feito em 2010, 2011 ou 2017. Porque nem só de dinheiro e estrutura se faz futebol. E isso todo americano da Estrada do Arraial conhece bem. O América de 2019 não faz jus nem pra vencer o Peladão Alto Astral.

Falta brio.

A história de raça e superação do América não merece este elenco medíocre.

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